Por Adamo Bazani
Veículos foram apresentados durante as comemorações dos 8 anos do Corredor Vila Luzita, o único corredor municipal segregado de Santo André

Ônibus com elevadores para deficientes apresentados no Terminal da Vila Luzita
Depois da apresentação de ônibus do tipo “micrão” adaptados para transporte de portadores de limitações físicas, a cidade de Santo André ganhou nesta sexta-feira, dia 4 de setembro, mais veículos acessíveis, só que desta vez, ônibus com tamanho convencional e o primeiro micro-ônibus com esta característica na cidade.
Onze ônibus foram apresentados a população. Eles devem rodar em breve, mas antes mesmo de ganharem as ruas, o blog traz a novidade.
São dez Caio Apache Vip II, Volkswagen 17-230, e um micro-ônibus Caio Foz, Volkswagen 9-150, comprados pela Expresso Guarará.
A apresentação dos veículos marcou as comemorações dos 8 anos de operação do Corredor Vila Luzita, o único corredor segregado para ônibus na cidade de Santo André.
Apesar de reclamações como lotação nos veículos, o Corredor, idealizado em 1998 e entregue a população em 2001, representou avanço nos transportes da cidade, já que os ônibus conseguem oferecer viagens até 50 por cento mais rápidas, que antes de sua implementação.
No entanto, a cidade carece ainda de outros sistemas semelhantes e o próprio sistema da Vila Luzita deve ser aperfeiçoado, por conta da alta demanda de passageiros.
O prefeito de Santo André, Aidan Ravin, acredita que investir em ônibus para portadores de necessidades

Prefeito de Santo andré, aidan Ravin e empresário Sebastião Passarellim falam sobre a cultura dos transportes para portadores de deficiência
especiais não beneficia apenas a população que possui algum tipo de limitação física.
“Ao comprar ônibus com acessibilidade, as empresas, como a Expresso Guarará, criam uma cultura de transportes, que consegue modificar a visão dos cidadãos sobre os portadores de deficiência física. Quando a população vê um ônibus com elevadores para cadeirantes ou piso baixo, percebe que os portadores de deficiência são cidadãos e como tal, têm o direito de estudar, trabalhar, passear, enfim ter uma vida normal. Além de ser um investimento no nosso próprio futuro. Hoje estamos jovens e com força, mas amanhã a idade virá e as limitações também podem vir. Se uma cidade tiver uma cultura para transportar essa população, se estivermos no futuro nestas condições, seremos beneficiados”
E quando se fala em cultura de transportes, um dos referenciais na região é Sebastião Passarelli, dono da Expresso Guarará e fundador de boa parte das empresas na região do ABC. A família de Passarelli atua no ramo de transportes coletivos desde 1938, no Interior Paulista.
“Uma das coisas que mais me gratificam ao longo do tempo é saber que é possível ter um transporte racional, economicamente viável, que dá lucro, mas que ao mesmo tempo é humano. Estou na região do ABC há 49 anos atuando na área. Me doía ver que num passado não muito distante, pessoas com limitações não tinham condições de sequer entrar num ônibus. São veículos mais caros, mas vale a pena investir”, comenta o empresário, de 81 anos.
E quem está nas ruas no dia a dia sabe como são as dificuldades dos passageiros, principalmente os portadores de deficiência física.

A motorista Luciane Lopes, que gosta de transportar deficientes e diz ter uma verdadeira paixão por trabalhar em periferia
É o caso da motorista Luciane Lopes, da Expresso Guarará. Ela conta que começou a dirigir ônibus em 1996. No início, começou a guiar micro-ônibus, de serviços diferenciados entre os ônibus comuns de escala. Mas os primeiros contatos com o volante foram paixão à primeira vista. Luciane se aperfeiçoou e hoje transporta de uma só vez mais de cem passageiros em ônibus articulados, de 18 metros.
“São gigantes domesticados pela suavidade da mulher” – brinca a motorista, uma das primeiras do grupo, quando as linhas municipais ainda eram operadas pela Viação São José, do mesmo grupo.
“Transportar portadores de deficiência física é como transportar um tesouro dentro do ônibus. Eles têm uma força especial, sempre algo a ensinar. Fiz muitas amizades trabalhando como motorista e digo sem medo nenhum – Prefiro linha de bairro, de periferia. Apesar dos perigos, nesse tipo de linha sim, o passageiro torna-se amigo. São poucos carros e os pontos finais são praticamente na porta das casas. Nunca tive medo do perigo da periferia. Ao contrário, nas lanchonetes de ponto final é que se encontram histórias de luta e superação, além de uma comida deliciosa. “ declara Luciane, que também afirma que a população das periferias vê no ônibus um apoio, um sinal de que não foi esquecida totalmente.
O funcionário da Expresso Guarará, Sandro Alves, que acompanhou a compra dos veículos, explica que os

O profissional de transportes e busólogo Sandro Alves, de preto, do lado direiro do ônibus, comemora a chegada dos novos veículos com o colegas da empresa.
ônibus possuem elevadores para cadeirantes com acionamento automático pelo motorista, balaustes com textura para portadores de deficiência visual, bancos com cores diferentes para idosos e bancos para obesos.
O funcionário Sandro Alves, no entanto, sempre dava lugar ao busólogo Sandro Alves. Alem de trabalhar, ele é um apaixonado por ônibus, o que permite que ele conheça um pouco mais do ramo, com as duas visões, de profissional e de fã.
E isso foi possível notar quando, indiscutivelmente entusiasmado, ele mostrava os “mimos” que a empresa conseguiu negociar com a encarroçadora, como relógio digital, com marcador de temperatura e um simpático ventilador para o motorista.
Por onde os ônibus novos passavam, numa espécie de carreata, os moradores viram a diferença em relação aos antigos e logo perguntavam quando os novos carros começariam a rodar, o que acontecerá nos próximos dias.
Nesta sexta-feira, foram apresentados 11 ônibus, mas no total, serão até outubro 30 acessíveis, pela Expresso Guarará.

Carreata de novos ônibus, numa das regiões mais carentes de Santo André
Eles se somam aos 15 micrões da Viação Vaz. Número pequeno ainda se for levando em consideração o fato de que a frota de ônibus municipais de Santo André possui cerca de 250 ônibus, mas é um começo, que o nosso espaço, que mostra a história e as notícias dos transportes, faz questão de registrar, afinal, as cidades, empresas e sociedade possuem um grande débito com os portadores de necessidades especiais.
Adamo Bazani, busólogo, repórter da CBN e que fica sim alegre, quando vê um cadeirante ou um portador de deficiência física sair de casa não para o hospital, mas para trabalhar, estudar, passear e viver.
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