HISTÓRIA: Aratu Amaralina, a cara do Amélia em Salvador

Por , em 7 de agosto de 2017.

Encarroçadora de Salvador tinha prática de se “inspirar” em modelos fabricantes maiores.

Aratu Amaralina, chassi Mercedes-Benz, com linhas semelhantes ao CAIO Amélia.

Aratu Amaralina, chassi Mercedes-Benz, com linhas semelhantes ao CAIO Amélia.

No ramo de design automotivo, nem sempre a criatividade falou mais alto.

Até nos dias de hoje, é possível ver um modelo inspirado em outro, muitas vezes entre fabricantes concorrentes.

Não são raros, também, processos judiciais por causa disso.

No segmento de ônibus, a situação não é diferente.

São vários modelos ao longo da história que, ao serem observados com menos atenção ou de longe, poderiam criar confusão.

Uma das páginas da história envolve o modelo Amaralina, da encarroçadora baiana Aratu.

A Aratu teve origem na IASA – Indústria Aratu SA (ex-encarroçadora Bons Amigos), do Rio de Janeiro.

Em 1968, um grupo de sete operadores de ônibus de Salvador compraram as instalações da IASA e transferiram a produção para Salvador, na Bahia.

Em 25 de fevereiro de 1969, começou a produção na capital baiana, ainda com o modelo Panorâmico, da transição IASA – Bons Amigos. A fábrica ficava na Estrada de Ipitanga km 1, na localidade de Campinas de Pirajá.

A produção do Amaralina, modelo de duralumínio, começou em março de 1987.

Já o Amélia, da paulista CAIO, era produzido desde 1980 e seguiu em linha até 1987/1988.

Talvez não seja possível afirmar categoricamente que o Amaralina era uma cópia fel do Amélia, mas não dá para negar que as linhas da carroceria seguiam muito o modelo da CAIO que começou a ser produzido no bairro da Penha, zona leste de São Paulo, e teve continuidade na unidade de Botucatu, no interior paulista. Relembre a história do Amélia aqui.

Os faróis redondos em dupla de cada lado na parte da frente, o detalhe destacado sobre o conjunto óptico dianteiro, o formato do para-brisa, a caixa de itinerário, a janela do motorista e as demais ao longo da carroceria, tudo lembrava, e muito, o Amélia.

Na traseira, havia mais diferenças, mas a caixa do vigia também não negava que o Amélia foi a grande inspiração para o Amaralina.

Amaralina (frente e traseira) sobre chassi Volvo B 58 e, abaixo, CAIO Amélia também sobre plataforma Volvo B 587, dianteira, janelas e conjunto ótico da frente confundiam entre um modelo e outro. Foto: André Moreira Gross.

Amaralina (frente e traseira) sobre chassi Volvo B 58 e, abaixo, CAIO Amélia também sobre plataforma Volvo B 587, dianteira, janelas e conjunto ótico da frente confundiam entre um modelo e outro. Foto: André Moreira Gross.

Amaralina (frente e traseira) sobre chassi Volvo B 58 e, abaixo, CAIO Amélia também sobre plataforma Volvo B 587, dianteira, janelas e conjunto ótico da frente confundiam entre um modelo e outro.

Amaralina (frente e traseira) sobre chassi Volvo B 58 e, abaixo, CAIO Amélia também sobre plataforma Volvo B 587, dianteira, janelas e conjunto ótico da frente confundiam entre um modelo e outro.

Amaralina (frente e traseira) sobre chassi Volvo B 58 e, abaixo, CAIO Amélia também sobre plataforma Volvo B 587, dianteira, janelas e conjunto ótico da frente confundiam entre um modelo e outro. Foto: André Moreira Gross; acervo: Victor Camelo.

Amaralina (frente e traseira) sobre chassi Volvo B 58 e, abaixo, CAIO Amélia também sobre plataforma Volvo B 587, dianteira, janelas e conjunto ótico da frente confundiam entre um modelo e outro. Foto: André Moreira Gross; acervo: Victor Camelo.

Ocorre que seja plágio, cópia ou apenas uma tendência seguida na época, o Amaralina localmente foi bem sucedido. A Aratu chegou a ser a maior fornecedora de ônibus urbanos do estado da Bahia, é verdade que quase um terço de toda a produção era consumida pelos próprios operadores de ônibus que detinham a encarroçadora.

Mas outros empresários de ônibus também compravam.

A produção da Amaralina foi até 1990, sendo sucedido pelo modelo Piatã, acusado de ser cópia do Marcopolo Torino.

Outros modelos da Aratu também foram considerados plágios, como o Natus Bahia, chamado de “cópia do Bela Vista” da CAIO.

De longe, quase não dava para diferenciar o Aratu Natus Bahia (acima) e o CAIO Bela Vista, em São Paulo. Foto: Carlos Henrique.

De longe, quase não dava para diferenciar o Aratu Natus Bahia (acima) e o CAIO Bela Vista, em São Paulo. Foto: Carlos Henrique.

De longe, quase não dava para diferenciar o Aratu Natus Bahia (acima) e o CAIO Bela Vista, em São Paulo. Foto: Acervo Marco Antônio da Silva.

De longe, quase não dava para diferenciar o Aratu Natus Bahia (acima) e o CAIO Bela Vista, em São Paulo. Foto: Acervo Marco Antônio da Silva.

Artatu Piatã e Marcopolo Torino, muitas semelhanças. Foto: Acervo Marcelo Pereira.

Artatu Piatã e Marcopolo Torino, muitas semelhanças. Foto: Acervo Marcelo Pereira.

Artatu Piatã e Marcopolo Torino, muitas semelhanças. Foto: Dj Mercy.

Artatu Piatã e Marcopolo Torino, muitas semelhanças. Foto: Dj Mercy.

Após problemas financeiros, os empresários que controlavam a Aratu decidiram focar apenas no ramo de transportes de passageiros, e, entre 1992 e 1993, encerraram as atividades da encarroçadora.

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