Fábrica de ônibus elétricos da BYD Campinas já nasce com encomendas

Por , em 11 de abril de 2017.

Companhia chinesa também deve fazer ônibus rodoviários elétricos ainda neste ano no Brasil. Empresa negocia pontos de recarga de baterias de ônibus elétricos e painéis solares em terminais de São Paulo.

Autoridades brasileiras, chinesas e diretoria da BYS inauguram fábrica de chassi de ônibus. Foto, Texto e Reportagem: Adamo Bazani.

Autoridades brasileiras, chinesas e diretoria da BYS inauguram fábrica de chassi de ônibus. Foto, Texto e Reportagem: Adamo Bazani.

Dentro de alguns meses, ônibus elétricos da BYD, cujos chassis começaram a ser fabricados em Campinas, interior de São Paulo, já devem estar em circulação por diferentes cidades brasileiras, com carrocerias CAIO, Marcopolo e Volare (no caso do modelo de miniônibus Acess, de piso baixo).

Foi o que garantiu ao Diário do Transporte o diretor de marketing, novos negócios e sustentabilidade da BYD, Adalberto Maluf, durante inauguração da fábrica de chassi da companhia, em Campinas, no interior de São Paulo, que ocorreu nessa quinta-feira, 06 de abril de 2017. O evento teve cobertura do Diário do Transporte.

Chassi finalizado de ônibus Padron 12,5 metros. Foto, Texto e Reportagem: Adamo Bazani.

Chassi finalizado de ônibus Padron 12,5 metros. Foto, Texto e Reportagem: Adamo Bazani.

O executivo informou que entre as cidades que devem ter frotas de ônibus elétricos da BYD estão a capital paulista e Campinas. Essa última terá nova licitação dos transportes, e a prefeitura colocou como meta a inclusão de 150 ônibus elétricos na região central nos próximos anos.

No caso da capital paulista, a fabricante negocia com os empresários de ônibus também a aquisição de sistemas de painéis solares que podem ser instalados em terminais, gerando energia para os locais e também para os pontos de recargas dos ônibus elétricos que devem ser instalados nesses terminais de São Paulo (o vídeo na íntegra da entrevista, você confere abaixo).

“Hoje a gente vem trabalhando com alguns operadores em São Paulo para a entrega dos ônibus junto com sistema do painel solar. Entre 5 e 7 anos, todos investimentos se pagam, com economia de combustível, os custos de financiamentos menores, o leasing da bateria e as vantagens do painel solar, que pode gerar entre 50%, 70% e até 80% do consumo de energia desse ônibus […]. Apenas sobre o veículo, cuja a diferença de preço em relação aos modelos a diesel está cada vez menor, em um ano, contando com a taxa de juros mais vantajosas pelo Finame dada aos elétricos e com a economia de combustível, o ônibus está totalmente pago” – garantiu Adalberto Maluf.

Operários em uma das etapas iniciais da produção do chassi de ônibus. Foto, Texto e Reportagem: Adamo Bazani.

Operários em uma das etapas iniciais da produção do chassi de ônibus. Foto, Texto e Reportagem: Adamo Bazani.

Base que recebe uma das partes dos equipamentos elétricos e baterias no chassi. Foto, Texto e Reportagem: Adamo Bazani.

Base que recebe uma das partes dos equipamentos elétricos e baterias no chassi. Foto, Texto e Reportagem: Adamo Bazani.

O diretor de marketing da BYD disse que hoje as cidades que pensam em meios de transporte coletivo não poluentes não levam em consideração apenas a compra dos veículos, mas toda a infraestrutura operacional, contando com a recarga dos ônibus no meio da operação. Adalberto Maluf cita o exemplo da Viação Gato Preto que, ao escalonar os horários em relação à recarga da bateria, conseguiu melhor produtividade de um veículo da marca em teste.

“A gente tem um exemplo de operação muito legal que ocorre em São Paulo, na Viação Gato Preto. O ônibus lá começava a operar às 5h e parava por volta das 22h/23h. O que o que operador fez? O ônibus sai às 4h, para às 14h, carrega até às 15h00 e segue a operação até depois da meia-noite. A gente acredita que esse modelo que as operadoras estão testando em São Paulo é o modelo do futuro. Assim, como as grandes cidades chinesas, cidades americanas e europeias que vem investindo muito nas infraestrutura dos seus terminais, para que os ônibus não tenham de sair de operação e voltem para garagem só para terem de recarregar. Com algumas estratégias operacionais, tem se conseguido autonomia de até 300 km sendo, que a nossa base é de 200 km a 250 km” – contou Adalberto Maluf.

Miniônibus Volare Acess. Elétrico e de piso baixo, acessível. BYD negocia com sistemas alimentadores para aplicação urbana. Foto, Texto e Reportagem: Adamo Bazani.

Miniônibus Volare Acess. Elétrico e de piso baixo, acessível. BYD negocia com sistemas alimentadores para aplicação urbana. Foto, Texto e Reportagem: Adamo Bazani.

Miniônibus Volare Acess. Elétrico e de piso baixo, acessível. BYD negocia com sistemas alimentadores para aplicação urbana. Foto, Texto e Reportagem: Adamo Bazani.

Miniônibus Volare Acess. Elétrico e de piso baixo, acessível. BYD negocia com sistemas alimentadores para aplicação urbana. Foto, Texto e Reportagem: Adamo Bazani.

O diretor de marketing de relações institucionais da BYD também disse que é grande a disposição do secretário municipal de transportes e mobilidade da capital, Sérgio Avelleda, para achar uma solução para ampliar a frota de ônibus não poluentes. No entanto, a administração faz as contas para que não haja aumento de custos no sistema e, consequentemente, nas tarifas.

A cidade não conseguirá cumprir as determinações da Lei de Mudanças Climáticas, que estipula 100% de frota de ônibus não poluentes em 2018, sendo que, desde 2009, data da criação da lei, 10% dos veículos deveriam ser trocados até que a meta fosse alcançada. Hoje, a frota de ônibus que se enquadraria na Lei de Mudanças Climáticas não passa de 7% dos quase 14.700 coletivos municipais.

Modelo que já opera em Campinas, mas com carroceria chinesa. Próximos ônibus já terão as carrocerias nacionais CAIO e Marcopolo. Foto, Texto e Reportagem: Adamo Bazani.

Modelo que já opera em Campinas, mas com carroceria chinesa. Próximos ônibus já terão as carrocerias nacionais CAIO e Marcopolo. Foto, Texto e Reportagem: Adamo Bazani.

Modelo que já opera em Campinas, mas com carroceria chinesa. Próximos ônibus já terão as carrocerias nacionais CAIO e Marcopolo. Foto, Texto e Reportagem: Adamo Bazani.

Modelo que já opera em Campinas, mas com carroceria chinesa. Próximos ônibus já terão as carrocerias nacionais CAIO e Marcopolo. Foto, Texto e Reportagem: Adamo Bazani.

PLANTA TEM CAPACIDADE PARA 720 ÔNIBUS POR ANO

A planta inaugurada nessa quinta-feira, 6 de abril de 2017, faz parte do Complexo da BYD em Campinas e tem capacidade de produzir 720 chassis por ano, com três turnos de operação.

“Quando estiverem em operação, os 720 ônibus elétricos representarão uma redução na emissão de poluentes de 81 milhões de toneladas equivalentes de gás carbônico (CO2 – gás de efeito estufa), bem como de 8 toneladas de material particulado, 440 toneladas de NOx, 90 toneladas de CO e 13 toneladas de HC, todos poluentes locais que impactam negativamente à saúde das pessoas”, afirma Maluf.

Stella Li, vice-presidente mundial da BYD, com embaixador da China no Brasil, Li Jinzhang, em ônibus na planta de Campinas. Foto, Texto e Reportagem: Adamo Bazani.

Stella Li, vice-presidente mundial da BYD, com embaixador da China no Brasil, Li Jinzhang, em ônibus na planta de Campinas. Foto, Texto e Reportagem: Adamo Bazani.

Os investimentos apenas para a fábrica de ônibus foram de R$ 50 milhões, com potencial de geração de 161 empregos até 2020. Hoje, a empresa em Campinas conta com 360 empregados e 80 temporários, já considerando a planta de painéis solares fotovoltaicos, também inaugurada nessa quinta-feira, 6, e que teve investimentos de R$ 150 milhões. A capacidade de produção é de 200 megawatts. A BYD diz que os painéis já estão credenciados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na linha de financiamento de máquinas e equipamentos (Finame).

Já estão em produção na planta de Campinas chassis do micro-ônibus K7 e dois modelos do ônibus de 12,5 m de comprimento que receberão carrocerias da Marcopolo e da CAIO. No próximo mês, devem ser feitos os ônibus de 15 metros (três eixos) e 18,6 metros (articulados).

Unidade de painéis solares da BYD. Em algumas alas do setor, trabalhadores devem usar máscaras, toucas e luvas devido à complexidade da produção. Foto, Texto e Reportagem: Adamo Bazani.

Unidade de painéis solares da BYD. Em algumas alas do setor, trabalhadores devem usar máscaras, toucas e luvas devido à complexidade da produção. Foto, Texto e Reportagem: Adamo Bazani.

Unidade de painéis solares da BYD. Em algumas alas do setor, trabalhadores devem usar máscaras, toucas e luvas devido à complexidade da produção. Foto, Texto e Reportagem: Adamo Bazani.

Unidade de painéis solares da BYD. Em algumas alas do setor, trabalhadores devem usar máscaras, toucas e luvas devido à complexidade da produção. Foto, Texto e Reportagem: Adamo Bazani.

Adalberto Maluf explicou que fornecedores pediram mais tempo para a nacionalização de soluções e peças e também por causa do quadro econômico brasileiro, que atingiu a indústria automotiva. Os setores de engenharia de algumas empresas do setor automotivo e de autopeças estão se reestruturando ainda.

O processo de montagem conta com oito etapas que vão desde a montagem do quadro básico de chassi até a instalação dos motores e equipamentos elétricos. Neste primeiro ano, entre 20% e 30% dos componentes dos ônibus são nacionais. Em 2018, esse número deve subir para 40%, em 2019 para 50%, em 2020 para 60% e em 2021 para 70%.

Ônibus de 15 metros das BYD, testado em São Paulo. Ao fundo, caminhão de lixo, van e carro, todos movidos a eletricidade. Foto, Texto e Reportagem: Adamo Bazani.

Ônibus de 15 metros das BYD, testado em São Paulo. Ao fundo, caminhão de lixo, van e carro, todos movidos a eletricidade. Foto, Texto e Reportagem: Adamo Bazani.

BRASIL TERÁ ÔNIBUS RODOVIÁRIOS ELÉTRICOS

Ônibus rodoviário elétrico produzido internacionalmente.

Ônibus rodoviário elétrico produzido internacionalmente.

Outra novidade é que neste ano já deve ser produzido um modelo de ônibus elétrico rodoviário para o mercado brasileiro. No segundo semestre, devem ser já elaborados os quadros de chassis e equipamentos para produção e montagem na planta de Campinas. Ainda não foi definido o modelo de veículo, mas os setores de rodoviários de linha regular e fretamento estão nos planos de mercado da BYD.

“Hoje a gente tem modelos de ônibus rodoviários e de fretamento na China e nos Estados Unidos, o que a gente fez foi “tropicalizar” as diferentes estruturas dos chassis. A gente vai escolher alguns modelos, em especial o feito na Califórnia. Estamos decidindo quais os primeiros modelos a serem montados aqui, mas a planta norte-americana tem contribuído muito no processo de nacionalização dos ônibus” – disse Adalberto Maluf.

Não está descartada, inclusive, a participação de ônibus elétricos no segmento 8X2, de ônibus pesados com quatro eixos. Adalberto Maluf explicou que a BYD faz ônibus rodoviários com 400 km de autonomia destinados ao setor de fretamento e 500 quilômetros de autonomia para linhas regulares de maior distância.

O executivo, entretanto, afirmou que a infraestrutura de recarga para as baterias desses veículos é mais complexa e precisa de investimentos maiores. Algumas recargas podem ser feitas em 40 minutos. Confira o vídeo da entrevista:

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