Com menos verbas, EMTU divulga previsões para entregas de corredores

Por , em 16 de março de 2017.

Obras estão atrasadas. Algumas ainda precisam de definições.

A EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, responsável pelo gerenciamento dos transportes metropolitanos do estado de São Paulo, a exemplo de outras empresas do governo, teve redução dos investimentos previstos.

A EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, responsável pelo gerenciamento dos transportes metropolitanos do estado de São Paulo, a exemplo de outras empresas do governo, teve redução dos investimentos previstos. Foto: Adamo Bazani.

A EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos, responsável pelo gerenciamento dos transportes metropolitanos do estado de São Paulo, a exemplo de outras empresas do governo, teve redução dos investimentos previstos. Em 2016, o orçamento foi de R$ 455,2 milhões. Já por causa do contingenciamento de 25% imposto pelo governador Geraldo Alckmin, diante da crise econômica, os recursos neste ano tiveram redução. Para 2017, a EMTU só conta com R$ 359,7 milhões para investimentos.

Esse quadro influenciará no cumprimento das promessas de entrega de corredores de ônibus metropolitanos na capital, Grande São Paulo, e em parte do interior paulista. Nessa quarta-feira, 8 de março de 2017, a EMTU divulgou, no Diário Oficial do Estado, balanço sobre as previsões para esses espaços considerados essenciais para melhorar o deslocamento das pessoas nas regiões atendidas. O Diário do Transporte, tendo como base as páginas oficiais da EMTU, verificou que todos os corredores de ônibus prometidos, alguns para 2014 e 2015, estão com as obras atrasadas.

Entre as obras prometidas para este ano estão trechos do Corredor Metropolitano Itapevi – São Paulo. As obras do trecho entre Itapevi e Jandira desse corredor tiveram início em junho de 2011. A previsão era de que entre Itapevi e Jandira, até a metade de 2012, já seria possível a circulação dos primeiros ônibus, o que não ocorreu. Já o corredor completo entre Itapevi e a capital paulista deveria ter sido concluído em 2014. Alguns trechos estão sem data de previsão ou terão de ser submetidos à nova licitação, como a parte entre Jandira – Terminal Carapicuíba (8,8 km).

O BRT Perimetral Leste, que atenderá a ligação entre a Av. Monteiro Lobato e Av. Santos Dumont, em Guarulhos, e o Terminal Metropolitano São Mateus, na zona leste da capital, está entre os que ainda têm mais indefinições. A obra de 26,7 km ainda precisa de conclusão de projetos básicos, prevista para este ano, e esbarra em indefinições como a construção do Trecho 3, de 4,6 km, na Av. Ragueb Chohfi, que aguarda ainda nova etapa do empreendimento da Linha 15 do Monotrilho e projeto de construção de corredor pela SPTrans. A demanda inicial prevista para o corredor é de 175 mil pessoas por dia. Em seu site, a EMTU mantinha as seguintes previsões para o BRT Perimetral Jacu Pêssego: Previsão de Início de Obras: 2014/Previsão de Conclusão das Obras: 2015.

No caso do BRT Metropolitano Cajamar – Santana de Parnaíba – Barueri, de 28,9 quilômetros, que beneficiaria inicialmente 55 mil passageiros, já teve concluído projeto funcional do primeiro trecho que liga Cajamar a Santana de Parnaíba, de aproximadamente 12 km de extensão, mas o segundo trecho, entre Santana de Parnaíba e Barueri, sequer teve o traçado definido. Ocorre que, pelo site da EMTU, as datas iniciais eram: Previsão de Início das Obras: 2014/Previsão de Conclusão das Obras: 2015.

No caso do BRT Metropolitano Perimetral Alto Tietê (Arujá – Ferraz de Vasconcelos), o projeto básico foi concluído em dezembro de 2016. Mas, de acordo com as primeiras previsões, a contratação dos projetos básicos e executivo deveria ocorrer no 1º semestre de 2013. A previsão de início das obras era o 2º semestre de 2014 e a previsão de conclusão das obras seria após 2014.

O Transporte Rápido Intermunicipal do Vale do Paraíba – TRIVALE, corredor de 96 quilômetros de extensão, incluindo um BRT (Transporte Rápido por Ônibus) entre São José e Jacareí, deveria estar pronto entre 2014 e 2016. Mas, segundo o novo balanço da EMTU, os projetos básicos, executivo e as licenças ambientais não avançaram. No ano passado, a EMTU/SP concluiu o Projeto Funcional do Sistema de Transporte Rápido Intermunicipal da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte.

O Corredor Metropolitano ABD é o mais antigo em operação. Foi inaugurado em 1988 e liga São Mateus, na zona leste da capital paulista, ao Jabaquara, na zona sul, passando por Diadema, Santo André, Mauá (Terminal Sônia Maria) e São Bernardo do Campo, além de ter extensão entre Diadema e a estação Berrini, dos trens da CPTM, na zona sul da capital. O sistema tem boa avaliação dos passageiros, conseguindo até nota superior ao metrô, de acordo com mais recente pesquisa da ANTP – Associação Nacional de Transportes Públicos.

Mas o corredor do trólebus, como é chamado, precisa ser modernizado. Não há pontos de ultrapassagem para os ônibus não perderem tempo nas paradas, os terminais não conseguem receber ônibus biarticulados de 28 metros com maior capacidade de demanda (o modelo maior suportado é de 23 metros – superarticulado) e os pontos são de 1988.

Não há pré-embarque, pagamento antecipado da tarifa, e os abrigos foram dispostos na época em que o embarque era pela parte de trás dos ônibus e continuam do mesmo jeito. Assim, muitas vezes, para embarcar os passageiros, têm de ficar avançados na calçada, fora do abrigo e sob chuva e sol, para se alinharem à porta dianteira.

Ocorre que não há, na relação publicada pela EMTU, nenhuma previsão de investimentos para modernização do Corredor Metropolitano ABD, operado pela Metra, com ônibus e trólebus.

VEJA A RELAÇÃO

Corredor Metropolitano Itapevi – São Paulo: o traçado do Corredor Metropolitano Itapevi – São Paulo, de 23,6 km, começa junto à Estação Itapevi, da CPTM, passando por Jandira, Barueri, Carapicuíba, Osasco e São Paulo, onde futuramente será integrado com os ônibus municipais de São Paulo no Terminal Amador Bueno (Vila Yara). O projeto foi dividido nos seguintes trechos:

Trecho Itapevi – Jandira (5 km): inclui a construção da Estação de Transferência Itapevi, sete estações de embarque e desembarque, viaduto sobre a Rua Ameríndia e passarela sobre a via férrea. Em 2016, a EMTU/SP deu continuidade às obras no viário e nas estações com mais de 50% dos trabalhos executados no trecho. Essa ligação será entregue em 2017, e o investimento nessa ligação é de R$ 49,5 milhões.

Trecho Jandira – Terminal Carapicuíba (8,8 km): as obras nesse trecho avançaram em 2016, e incluem a construção do Terminal Carapicuíba, da Estação de Transferência de Barueri e nove estações de embarque e desembarque. Neste ano, teve início a construção da Estação e do Terminal Carapicuíba. No viário, mais de 90% dos trabalhos foram executados. Para cumprir os novos parâmetros definidos pelo TCE, que inviabilizaram o aditamento do contrato com o Consórcio EQUIPAV/EMPO (vencimento em janeiro de 2017), nova licitação será feita para a continuidade das obras. A publicação do edital e assinatura de novo contrato com o vencedor do certame estão previstas para em 2017. O período do contrato será de 12 meses e o valor estimado é de R$ 103,3 milhões.

Trecho Terminal Carapicuíba – Osasco Km 21 (2,2 km): nessa ligação, serão construídos o Terminal Osasco km 21, duas estações de embarque e desembarque, viaduto Carapicuíba e alças de acesso. Em 2016, a EMTU/ SP deu continuidade às obras com mais de 50% dos trabalhos terminados, envolvendo o viário e o Terminal Km 21. O valor do empreendimento é de R$ 95,2 milhões.

Trecho Km 21 Osasco – Terminal Vila Yara – Osasco (7,6 km): estão previstas a reforma e ampliação do Terminal Amador Aguiar (Vila Yara) e construção de 10 estações de embarque e desembarque. Os projetos básico e executivo foram concluídos, viabilizando a publicação do edital de contratação de obras.

BRT Metropolitano Perimetral Leste (Jacu Pêssego): esse BRT terá 26,7 km de extensão. Contará com faixas exclusivas para ônibus com ultrapassagem nas 17 estações de embarque e desembarque, oito passarelas e integração com a CPTM na futura Estação de Transferência Dom Bosco. O projeto foi dividido em três trechos: O Projeto Básico do Trecho 1, de 1,9 km de extensão, entre a Av. Monteiro Lobato e Av. Santos Dumont, em Guarulhos, tem conclusão prevista para março de 2017. Está pronto o Projeto Básico dos 5,8 km restantes que abrangem a ligação da Av. Hugo Fumagali até divisa com São Paulo e inclui a ampliação do Terminal Metropolitano CECAP. O Trecho 2, na Av. Jacu Pêssego, a partir do limite dos municípios de Guarulhos e São Paulo, com 14,4 km de extensão, está com o Projeto Básico e estudos de desapropriação concluídos. A Licença Ambiental Prévia também já foi emitida pela Cetesb. A contratação do projeto Executivo está prevista para 2017. A construção do Trecho 3, de 4,6 km, na Av. Ragueb Chohfi, aguarda nova etapa do empreendimento da Linha 15 do Monotrilho e projeto de construção de corredor pela SPTrans. O Projeto Funcional de ampliação e readequação do Terminal Metropolitano São Mateus e intervenções na região da Praça Felisberto Fernandes foi concluído pela EMTU/ SP. A contratação do Projeto Básico está prevista para 2017. A demanda estimada para esse BRT é de 175 mil passageiros/dia e o investimento previsto para o trecho prioritário (Trecho 2) é de R$ 280 milhões.

BRT Metropolitano Cajamar – Santana de Parnaíba – Barueri: terá 28,3 km de extensão onde está prevista a construção de três terminais de integração: Polvilho, em Cajamar, um novo terminal em Santana de Parnaíba e Terminal Antonio João, em Barueri, junto à estação da CPTM, além da implantação de 33 estações de embarque e desembarque, 11,3 km de ciclovia e uma ponte de transposição sobre o Rio Tietê em Santana de Parnaíba. A previsão é de que o empreendimento de cerca de R$ 250 milhões atenda cerca de 60 mil passageiros por dia. O projeto funcional do primeiro trecho que liga Cajamar a Santana de Parnaíba, de aproximadamente 12 km de extensão, foi concluído. O segundo trecho entre Santana de Parnaíba e Barueri encontra-se em fase de consolidação do traçado e desenvolvimento dos projetos.

BRT Metropolitano Perimetral Alto Tietê (Arujá – Ferraz de Vasconcelos): terá 20,2 km de extensão, ligando Arujá a Ferraz de Vasconcelos, passando por Itaquaquecetuba e Poá. Serão construídos os Terminais Metropolitanos Arujá e Ferraz de Vasconcelos, junto à estação da CPTM, além da reforma do Terminal Cidade Kemel, em Poá. Serão implantadas 25 estações de embarque e desembarque; as Estações de Transferência Estrada do Corredor e Monte Belo; um viaduto em Arujá e outro em Ferraz de Vasconcelos; mais a abertura de 0,8 km de viário novo. O Projeto Básico foi concluído em dezembro de 2016. O investimento total previsto é de aproximadamente R$ 400 milhões, e o empreendimento deverá atender cerca de 80 mil passageiros por dia.

Transporte Rápido Intermunicipal do Vale do Paraíba – TRIVALE: em 2016, a EMTU/SP concluiu o Projeto Funcional do Sistema de Transporte Rápido Intermunicipal da Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte. O TRIVALE será formado pelo BRT Metropolitano Jacareí – São José dos Campos, de 24 km, além da construção do Terminal Multimodal em Pindamonhangaba, Estação de Transferência em Taubaté e outra em Caçapava. O traçado foi definido em conjunto com as equipes técnicas das prefeituras envolvidas. A próxima etapa desse empreendimento será a contratação dos Projetos Básico, Executivo e de licenciamentos ambientais, o que deve ocorrer em 24 meses. Está em processo de assinatura o convênio entre EMTU/SP, Prefeitura de Pindamonhangaba, Estrada de Ferro Campos do Jordão e Secretaria dos Transportes Metropolitanos para concepção conjunta do Terminal Multimodal de Pindamonhangaba.

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