FetransRio 2016: Curitiba deve ter estações de ônibus subterrâneas

Por , em 27 de novembro de 2016.

Fabricante Volvo está otimista em relação à proposta que apresentou junto com empresas de ônibus para rede de transportes de Curitiba.

Estações devem ficar a seis metros de profundidade.

Estações devem ficar a seis metros de profundidade.

A cidade de Curitiba pode ter estações de ônibus subterrâneas parecidas com estações de metrô. O modelo faz parte de uma proposta apresentada pela fabricante de ônibus Volvo junto com a representante da marca Nórdica, Cesbe Engenharia (construtora paranaense que atua em projetos de infraestrutura) e pela Associação Metrocard (que reúne as empresas de ônibus da região metropolitana de Curitiba).

A notícia já tinha sido divulgada pelo Diário do Transporte em outubro deste ano, mas, na edição da FetransRio que ocorreu até essa sexta-feira, a fabricante trouxe mais detalhes do sistema de transporte que foi apresentado no âmbito de uma PMI – Pesquisa de Manifestação de Interesse, lançada em maio pelo poder público municipal.

A proposta da Volvo e das empresas de ônibus leva em conta uma malha de corredores de aproximadamente 100 quilômetros de extensão, divididas em cinco eixos troncais: Aeroporto/Centro Cívico; Tamandaré/Cabral; Linha Verde; Araucária / Boqueirão; e Norte/Sul.

As estações subterrâneas estariam nessa malha que contempla túnel de seis quilômetros, nos quais seriam distribuídas seis paradas.

trab-lu1Sobre túneis e estações, uma alternativa é construir áreas de pedestres e jardins.

Sobre túneis e estações, uma alternativa é construir áreas de pedestres e jardins.

“O conceito de parada seria semelhante às estações de metrô, no entanto com menor profundidade: seis metros, enquanto, em média, uma estação de metrô necessita de uma profundidade de 15 metros. As estações seriam modernas com fácil acesso e na superfície da área onde estariam as estações poderiam ser feitos bulevares para melhorar o espaço urbano” – disse o especialista em mobilidade urbana da Volvo Bus Latin América, Ayrton Amaral, que qualifica a ideia como evolução do BRT.

Denominado de CIVI – City Vehicle Interconnect, o projeto deve contar com ônibus híbridos e, posteriormente, elétricos puros. No entanto, inicialmente, pode admitir ônibus diesel, inclusive de tecnologias mais antigas, e veículos que não sejam necessariamente produzidos pela Volvo. Cerca de 300 estações-tubos seriam interconectadas por cabos de fibra ótica, e os passageiros teriam wi-fi, painéis com informações sobre os horários e as linhas, além de ar-condicionado nos espaços. Hoje, a ausência de ar-condicionado e a defasagem das estações-tubos estão entre algumas das críticas que recebe o modelo de Curitiba.

Amaral também estima que o sistema teria custo de em torno de R$ 30 milhões por quilômetro.

“É bem mais barato e viável que o VLT ou qualquer outro sistema por apresentar mais capacidade e poderia ser implantado em dois anos” – defendeu.

Ônibus híbrido importado testado em linha da cidade pode compor sistema proposto.

Ônibus híbrido importado testado em linha da cidade pode compor sistema proposto.

Durante a apresentação, a Volvo mostrou os resultados de operações do novo modelo de ônibus elétrico híbrido, que também pode receber cargas rápidas durante o trajeto e operar áreas apenas no modo elétrico, sem nenhuma emissão de poluente.

O veículo opera desde maio na linha Juvevê – Água Verde e, segundo a Volvo, “os primeiros resultados da operação mostram que o veículo está operando 55% do tempo no modo 100% elétrico, consome 65% menos combustível que o modelo convencional a diesel e 30% menos que híbrido convencional de primeira geração. O impacto na redução da emissão de poluentes no período de testes, de agosto a outubro, também é alto. O modelo emite 55% menos CO2, 540% menos NOX e 1.500% menos material particulado (fumaça preta) que o modelo a diesel com tecnologia Euro 3 que circula na mesma linha. Já o híbrido, emite 26% menos CO2, 430% menos NOX, e 700% menos material particulado que o onibus movido a diesel. Considerando um ano de operação, o elétrico híbrido deixa de emitir 30 toneladas de dióxido de carbono quando comparado ao veículo movido a diesel”.

Modelo semelhante, mas com carroceria nacional, deve ser proposto no sistema apresentado à prefeitura de Curitiba.

AS PROPOSTAS PARA RENOVAÇÃO DE TRANSPORTE EM CURITIBA

A prefeitura de Curitiba recebeu três propostas no dia 30 de setembro de 2016. Até o início do ano que vem, o poder público municipal já deve dar a primeira resposta e pedir mais detalhes de cada projeto.

Acompanhe um resumo dos modelos apresentados.

VLP – Veículo Leve sobre Pneus

Uma delas diz respeito ao VLP – Veículo Leve sobre Pneus, sugerido pelo consórcio das empresas JMalucelli Construtora, M4 Consultoria e Pontoon Participações.

A tecnologia proposta deve ser da empresa francesa NTL, que já administra sistemas semelhantes em cidades como Paris, na França, Medellín, na Colômbia, e Xangai, na China.

O trajeto seria o mesmo do BRT da cidade e haveria rede elétrica aérea. Os veículos teriam capacidade para 358 passageiros. O projeto teve como base a tarifa técnica atual de R$ 3,66, com uma média de 8 a 12 mil passageiros/hora/sentido nos horários de pico. Mas o sistema teria muita margem para expansão, defende o consórcio. Foi considerada uma taxa de crescimento de 1,36% por ano na demanda de passageiros, tendo como base a taxa de crescimento da população da região metropolitana de Curitiba.

City Vehicles Interconnectd (Civi)/BRT 2.0

A outra proposta é do consórcio formado pela Nórdica Volvo (representante da rede de vendas de veículos pesados da Volvo no Paraná), pela Cesbe Engenharia (construtora paranaense que atua em projetos de infraestrutura) e pela Associação Metrocard (que reúne as empresas de ônibus da região metropolitana de Curitiba).

Chamada de City Vehicles Interconnected (Civi), ou ainda de BRT 2.0, é mais abrangente de todas do ponto de vista territorial porque, além de envolver os quatro trechos sugeridos pela prefeitura, também leva em consideração o eixo norte-sul e engloba parte da Região Metropolitana.

Seriam ônibus articulados e híbridos, cujo motor a combustão já estaria baseada nas normas Euro 6 de restrição à poluição, além do motor elétrico.

O sistema teria 300 novas estações. Todas elas seriam conectadas por fibra ótica, haveria monitoramento por câmera em todo o sistema e informações disponíveis em tempo real, usando painéis, internet e aplicativos. A pavimentação seria feita de concreto, haveria pontos de ultrapassagem, e a velocidade operacional poderia subir em cerca de 50%, ultrapassando a de um VLT por causa da eficiência operacional, garantem os idealizadores.

O custo por quilômetro seria de R$ 27 milhões, sendo dois terços para infraestrutura e um terço para compra dos veículos. A tarifa média estimada é de R$ 3,80, se estiver em operação hoje. Seriam requalificados 106 quilômetros de vias exclusivas para ônibus. Também foi levada em consideração a taxa de crescimento da população de Curitiba. A chamada Linha Verde poderia pular, dentro das estimativas de crescimento populacional, dos atuais 31 mil passageiros por dia para 120 mil passageiros por dia. O modelo proposto de contrato seria uma PPP – Parceria Público-Privada.

Cooperativa de Ônibus Elétricos

Já a Sociedade Peatonal, representada pelo engenheiro André Caon, propõe ônibus elétricos com baterias no trajeto entre a CIC e o Parque da Imigração Japonesa.

Foi usado como base o modelo de negócio da empresa chinesa BYD, que testou ônibus elétricos em Curitiba, e pela Leblon Transporte, na região metropolitana, pelo qual o ônibus seria adquirido, mas as baterias seriam financiadas. Isso, segundo o projeto, faria o investimento inicial cair de R$ 45 milhões para R$ 12,7 milhões.

O investimento seria privado, e o retorno para o investidor, como lucro livre, seria de R$ 5 milhões.

Um dos diferenciais é que o projeto prevê uma cooperativa de trabalhadores de transportes para operação. A sociedade também levou em conta a possibilidade de tarifa zero na linha, desde que houvesse a Cide Municipal, imposto sobre as vendas dos combustíveis direcionados para esse sistema.

Agora, a prefeitura de Curitiba vai analisar essas propostas e comparar com os resultados da pesquisa de origem e destino, que devem ficar prontos até o final do ano.

Após o procedimento, será lançado o edital para a implantação do sistema escolhido, prevê administração municipal.

Na licitação, mais propostas de outros grupos ou consórcios podem ser apresentadas.

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