HISTÓRIA: Praça da República integrada com os transportes é retrato do desenvolvimento de São Paulo

Por , em 21 de novembro de 2016.

Um dos locais mais importantes da região central já abrigou touradas, foi palco de manifestações e assistiu ao crescimento da cidade pela mobilidade urbana.

Imagem aérea do Colégio Caetano de Campos, entregue em 1894. Detalhe de foto dos anos 1980, de CMTC e ônibus monobloco. Acervo: Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.

Imagem aérea do Colégio Caetano de Campos, entregue em 1894. Detalhe de foto dos anos 1980, de CMTC e ônibus monobloco. Foto: Acervo da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.

Várias cidades em todo o país possuem espaços públicos com o nome da Praça da República, em homenagem ao fim do regime monárquico no Brasil, proclamado oficialmente em 15 de novembro de 1889.

Na capital paulista, a Praça da República é uma testemunha do desenvolvimento da cidade em diversos aspectos, não apenas urbanísticos e econômicos, mas culturais e sociais. A região onde está a Praça da República, atualmente privilegiada, era considerada, no início da urbanização de São Paulo, distante dos principais serviços e comércios. Os primeiros registros imobiliários do local são do século XVIII, quando um terreno foi registrado em nome do Tenente José Arouche de Toledo Rendon.

O local era utilizado para treinamento de militares, e foi chamado popularmente, então, de Praça das Milícias. No século XIX, uma das atividades que se destacaram no local foi a pastagem de animais, muitos de passagens, pertencentes a tropeiros. Também eram realizados eventos como touradas e cavalgadas. Por causa disso, o local onde hoje é a Praça da República também foi chamado de Largo dos Curros, que vem de currais. Mais tarde, recebeu o nome de Largo da Palha, por ser próxima à Rua da Palha.

Largo Sete de Abril, em 1890, local onde é hoje a Praça da República. Foto: Acervo São Paulo in Foco.

Largo Sete de Abril, em 1890, local onde é hoje a Praça da República. Foto: Acervo São Paulo in Foco.

A praça começou a ganhar ares políticos em seu nome, por assim dizer, no final do século XIX. Passou a se chamar Largo 7 de Abril, referência à renúncia de Dom Pedro I, que ocorreu em 1831. Após a proclamação da República, em 1889, o nome passou a ser Praça 15 de Novembro, em homenagem à data. No entanto, muitas pessoas se confundiam com a Rua 15 de Novembro. A identificação oficial, então, passou a ser Praça da República. O local começou a ganhar importância a partir de 1892, com a construção do Viaduto do Chá. A obra ligava o chamado Centro Velho ao Centro Novo da época.

Os arredores da praça começaram a receber mais investimentos e atrair edifícios comerciais e residenciais. Um dos marcos foi o término da construção, em 1894, do prédio da Escola Normal Caetano de Campos. A edificação foi projetada por Antônio Francisco de Paula Souza e Ramos de Azevedo. O local hoje é tombado pelo patrimônio histórico e abriga a Secretaria Estadual de Educação de São Paulo. A primeira revitalização da Praça da República ocorreu em 1905. O local que era apenas um terreno ajardinado recebeu lagos e pontes, como nas praças europeias.

A Revolução Constitucionalista de 1932, contra Getúlio Vargas, também marcou a Praça da República. Foi nas proximidades da praça, em 23 de maio de 1932, que foram mortos os estudantes “M.M.D.C” – Mário Martins de Almeida, Euclides Miragaia, Dráusio Marcondes de Souza e Antônio Camargo de Andrade. O assassinato ocorreu em frente à sede do Partido Popular Paulista, na Rua Barão de Itapetininga, na qual tem início uma das esquinas da praça. A Praça da República, mais de 50 anos depois, recebeu as manifestações “Diretas Já”, em 1984.

Cartão-postal da Praça da República, com bonde ao fundo.

Cartão-postal da Praça da República, com bonde ao fundo.

Pela localização da praça, principalmente após a construção do Viaduto do Chá, o local se tornou destino de muita gente. E onde há pessoas, lá estão os transportes para atender às necessidades humanas, econômicas e sociais. Várias linhas de transporte público, começando pelos carros tracionados por cavalo até bondes, ônibus e modernos trólebus que eram sinônimo de desenvolvimento tecnológico na metrópole.

Os veículos da CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos, por exemplo, vinham com placas em alusão à Praça da República. Isso mesmo quando, no letreiro principal, a maioria dos ônibus ostentava a inscrição “Cidade”, referindo-se ao centro. Ônibus de diversas empresas também destacavam que serviam às pessoas que precisavam se deslocar para aquela região.

Trólebus representaram inovação tecnológica e dos serviços de transportes. Veículos da CMTC com “Praça da República” no letreiro. Foto: Imagem BOL.

Trólebus representaram inovação tecnológica e dos serviços de transportes. Veículos da CMTC com “Praça da República” no letreiro. Foto: Imagem BOL.

No final dos anos 1970, a praça teve outra interferência importante na área de transportes. “Nascia” a linha 3-Vermelha do Metrô, anteriormente chamada de linha Leste-Oeste. A estação República da linha 3-Vermelha foi inaugurada em 24 de abril de 1982, uma das mais movimentadas do sistema. Já em 2011, o local recebeu a estação da linha 4-Amarela, a primeira PPP – Parceira Público Privada – na área de transportes urbanos.

Certamente, a história da Praça da República reflete aspectos interessantes da cidade de São Paulo: a importância dos transportes, levando as pessoas das mais variadas regiões até o local que significava oportunidades de uma vida melhor para muita gente, a trajetória cultural da cidade, que já teve touradas e vaquejadas, e as lutas da população em prol dos seus direitos.

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