Corredor ABD consegue primeiro lugar no índice de qualidade de transportes metropolitanos de São Paulo

Por , em 16 de outubro de 2016.

No quesito avaliação do cliente, empresa Metra recebeu aprovação de 84,6% dos passageiros.

Trólebus no Corredor ABD, no trecho de Santo André. Aprovação dos passageiros é de 84,6%, segundo índice da EMTU. Foto: Adamo Bazani.

Trólebus no Corredor ABD, no trecho de Santo André. Aprovação dos passageiros é de 84,6%, segundo índice da EMTU. Foto: Adamo Bazani.

A Metra, empresa operadora do Corredor Metropolitano ABD, que liga as zonas sul e leste da capital paulista por municípios da região do ABC, ficou em primeiro lugar no Índice de Qualidade do Transporte (IQT) da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), gerenciadora dos serviços de Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) e ônibus metropolitanos do estado de São Paulo.

No Índice de Qualidade do Cliente (ICQ), ou seja, a avaliação dos passageiros em relação aos serviços, a Metra recebeu aprovação de 84,6% dos usuários.

O levantamento se refere ao ano de 2015, e os dados foram divulgados nessa sexta-feira pela empresa. Segundo o IQC, foram 84,6% de respostas “ótimo/excelente”.

O índice contempla aspectos como a frota circulante de veículos, características e estado dos veículos em geral, informações sobre a linha de ônibus e atendimento das reclamações; operação, referente à lotação, número de ônibus na linha e tempo de espera; tripulação, que analisa a conduta de motoristas e cobradores, e outros, que estabelece nota geral para a linha.

Em nota, a diretora da Metra Transportes, Maria Beatriz Setti Braga, atribuiu o resultado aos investimentos na frota e qualificação dos profissionais.

“Frota com veículos modernos e ecológicos (movidos a diesel e a diferentes combustíveis alternativos), preservação e manutenção das vias de trajeto, profissionais com formação e treinamento diferenciados, pontualidade, condução suave, segurança e conforto, além de wi-fi a bordo, saídas USB para recarga de gadgets e ar condicionado são alguns dos atributos mais reconhecidos pelos nossos cliente […]. Outro diferencial importante para o cliente é que, nos corredores exclusivos, a manutenção e conservação de toda a via (monitorada 24 horas por dia) é da própria Metra. Cuidamos até do paisagismo, com o plantio de árvores ao longo das vias”, detalha Beatriz.

Segundo a empresária, no programa Corredor Verde, desde o ano 2000, foram plantadas mais de 5.000 árvores ao longo do trajeto dos coletivos, que neutralizam a emissão de CO2 lançado na atmosfera pelos ônibus e outros veículos.

A frota da Metra hoje é de 285 ônibus, dos quais 95 são elétricos e/ou com combustíveis sustentáveis. São transportadas mensalmente 7,5 milhões de pessoas.

APESAR DE APROVAÇÃO, CORREDOR PRECISA DE MODERNIZAÇÃO

De acordo com o próprio presidente da EMTU, Joaquim Lopes, em entrevista no dia 19 de setembro, dia da apresentação da audiência pública da licitação dos transportes na região metropolitana, os serviços da Metra destoam da realidade do ABC Paulista pela qualidade.

“No ABC, há duas realidades, enquanto há problemas com a Área 5, a Metra tem um serviço diferenciado, com avaliação de Metrô” – disse, na ocasião.

Operando sem contratos de licitação desde 2006, quando a EMTU organizou os transportes de quatro áreas operacionais na Grande São Paulo, os ônibus intermunicipais da Área 5, correspondente ao ABC Paulista, são os que possuem a maior idade média da frota metropolitana do estado de São Paulo, em torno de 9 anos.

As linhas são desatualizadas, e enquanto existem empresas que operam até mesmo com certificados de qualidade como ISO 9001, outras viações lideram o ranking de reclamações e de maus serviços da gerenciadora da gestão Alckmin.

Desde 2006, foram seis tentativas de licitação na região do ABC, cinco esvaziadas e uma barrada na justiça. Os empresários alegam que os editais anteriores não contemplavam os custos operacionais do ABC que, segundo eles, são diferentes das demais áreas da região metropolitana de São Paulo. O novo edital para toda a Grande São Paulo, incluindo o ABC, está previsto para ser publicado entre dezembro deste ano e janeiro de 2017, as propostas devem ser apresentadas em março, e as assinaturas dos contratos entre março e abril de 2017, se não houver contestações na justiça. As empresas devem formar consórcios.

Apesar de operar na região da Área 5, a Metra possui outro contrato. Os serviços do Corredor Metropolitano foram licitados pelo Governo do Estado de São Paulo em 1996 e assumidos pela Metra em 24 de maio de 1997. O contrato vai até maio de 2022.

Os serviços do Corredor Metropolitano ABD poderiam ganhar uma avaliação ainda melhor se houvesse um investimento maior por parte do Governo do Estado.

A rede elétrica do corredor ainda não possui potência suficiente para receber uma frota maior de trólebus. Além disso, as paradas precisam ser reformuladas. Esses pontos ainda são de 1988, ano de inauguração do Corredor, quando os passageiros ainda embarcavam pela parte de trás dos coletivos.

Atualmente, a Metra é responsável pela conservação das vias, terminais, sinalização e manutenção dos pontos de parada e da rede elétrica, no entanto, mudanças nas configurações dos terminais e das paradas e aumento da potência da rede ainda devem ser feitos pelo poder público.

O trecho entre São Mateus e Jabaquara, passando por Santo André, Mauá (Terminal Sônia Maria), São Bernardo do Campo e Diadema possui 33 quilômetros. Já a extensão entre Diadema e Brooklin, na zona sul de São Paulo, tem 12 quilômetros.

A maior parte dos 33 quilômetros do trecho entre São Mateus e Jabaquara é em corredor exclusivo, com pavimento de concreto rígido, próprio para ônibus e trólebus, que são veículos pesados. No entanto, ainda existem pontos onde os coletivos se mesclam com o trânsito comum, como na região central de São Bernardo do Campo, próximo ao Paço Municipal, entre o Terminal Santo André/Oeste e Avenida Ramiro Colleoni, em Santo André, e em parte da região do Parque das Nações, também Santo André.

A presença dos carros acaba diminuindo a velocidade operacional do transporte coletivo. Uma das alternativas seria criar faixas exclusivas nos trechos não contemplados pelo corredor exclusivo.

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