Vale a pena investir em mobilidade limpa: poluição custa ao Brasil US$ 4,9 bilhões por ano

Por , em 13 de setembro de 2016.

Dados são do mais recente estudo do Banco Mundial e do Instituto de Métricas e Avaliação da Saúde – IHME. Perdas indiretas com o bem-estar, no mundo, são de US$ 5,1 trilhões.

Transporte público polui menos e aproveita melhor a cidade.

Transporte público polui menos e aproveita melhor a cidade.

Muitos administradores públicos e até mesmo a iniciativa privada não investem em formas de combater a poluição e melhorar a qualidade de vida da população, como a ampliação de sistemas de metrô e da frota de ônibus menos poluentes, alegando os problemas de altos custos.

É verdade que metrô não é nada barato e que hoje os ônibus menos poluentes, como a gás natural ou eletricidade, são mais caros do que um similar movido a óleo diesel.

Mas um novo estudo, divulgado nesta quinta-feira, 8 de setembro de 2016, pelo Banco Mundial e pelo Instituto de Métricas e Avaliação da Saúde – IHME, confirma que os investimentos valem a pena, não só para poupar vidas (o que é a principal causa e por si só já se justifica), como também pelo aspecto financeiro.

Segundo o levantamento, a poluição custa US$ 225 bilhões por ano em todo o mundo. No Brasil, a poluição causa prejuízos anuais de US$ 4,9 bilhões.

A maior parte desses custos traz impactos nos sistemas de saúde mantidos pelo poder público. Assim, não é nenhum absurdo pensar em incentivos fiscais para a expansão de redes metroferroviárias e a produção e aquisição de ônibus menos poluentes.

Esse dinheiro acabará retornando aos cofres públicos pela redução dos custos na área da saúde.

É claro que não se combate a poluição apenas expandindo metrô e a frota de ônibus elétricos, híbridos, a gás natural, etanol etc. Por isso, incentivos e isenções fiscais devem ser concedidos de forma inteligente e com critérios.

Mas é importante destacar que, hoje, os transportes estão entre os principais emissores de gases que fazem mal à saúde humana.

Assim, o fato de haver estímulo ao transporte coletivo, mesmo que, inicialmente, ainda com as atuais fontes de energia, já trará ganhos para o planeta, afinal, o grande problema da emissão veicular não está nos ônibus, mas no excesso de veículos particulares nas ruas. Porém, se o ônibus puder poluir menos, como tecnologicamente já é possível, as vantagens serão ainda maiores.

Majorar todas as vantagens em prol do meio ambiente é questão de vida ou morte.

O mesmo estudo mostra que a poluição atmosférica já é a quarta causa de morte prematura, com 2,9 milhões de óbitos somente no ano de 2013 em todo o mundo.

Levando em conta as mortes por causa da poluição doméstica, como, por exemplo, pelo uso de combustíveis sólidos para calefação ou cozinha, o total de vítimas sobe para 5,5 milhões nos principais países.

No Brasil, 62,2 mil pessoas morreram em 2013 por problemas causados ou agravados somente pela poluição atmosférica.

O maior número de mortes é na China, com 1,6 milhão de óbitos, seguido pelos Estados Unidos, com 1,4 milhão de vítimas, em 2013.

O estudo ainda revela que doenças causadas pela poluição matam uma em cada dez pessoas no mundo, seis vezes mais do que as causadas pela malária. Entre essas doenças relacionadas à poluição estão males do pulmão (incluindo câncer), doenças respiratórias em geral e problemas cardiovasculares.

Em torno de 87% da população mundial está exposta aos poluentes que causam essas doenças.

O levantamento aponta ainda que a concentração de ozônio à qual a população mundial está exposta cresceu 8,9%.

Em países como Brasil, China, Índia, Paquistão e Bangladesh, a concentração de ozônio cresceu 20%.

CUSTOS INDIRETOS CHEGAM A US$ 5 TRILHÕES

Os gastos relacionados à poluição no mundo são ainda maiores se forem levados em consideração os custos indiretos e os obstáculos ao desenvolvimento econômico.

De acordo com cálculos do Banco Mundial, as perdas de rendimentos trabalhistas atribuídas às mortes por causa da poluição, por exemplo, no caso de parentes das vítimas, chegaram a US$ 225 bilhões.

Já as perdas relacionadas ao bem-estar chegaram a US$ 5,1 trilhões. Isso inclui o fato de as pessoas saírem menos às ruas por estarem doentes ou porque as cidades não oferecerem condições para as pessoas passearem livremente e interagirem, com os planejamentos urbanos voltando-se apenas para o tráfego de veículos.

É HORA DE FAZER MAIS

Os números não são apenas argumentos de ambientalistas.

São dados reais e obtidos por meio das mais modernas metodologias de análise.

Os índices tiveram como referência os dados oficiais dos países pesquisados, o que mostra que o número de mortes pode, na verdade, ser ainda maior, já que muitas nações ocultam alguns óbitos por causa da poluição.

Mais atitudes devem ser tomadas agora.

O transporte coletivo e não motorizado fazem parte dessa luta contra as mortes geradas pelo descaso com o meio ambiente.

A vida sobre a terra causa impactos, claro, e o homem faz parte da natureza.

Ninguém pede que a população deixe de consumir e de se deslocar, mas há maneiras mais respeitosas e produtivas de se fazer essas coisas.

É o caso do transporte coletivo, o qual ocupa menos espaço que os meios individuais de deslocamento, e que, por pessoa, polui muito menos.

Assim, em épocas como agora, em campanhas eleitorais, duvide muito daqueles que falam sobre meio ambiente e não relacionam o tema à mobilidade urbana.

Tenha acesso a vários estudos sobre poluição e transportes neste link.

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