ENTREVISTA: Confira onde será testado o ônibus GNVe biometano da Scania com carroceria nacional

Por , em 27 de agosto de 2016.

De acordo com a montadora, além de desempenho ser melhor do que os veículos GNV que já circularam pelo país, tempo de abastecimento completo na garagem pode ser em torno de seis minutos.

Ônibus GNV/biometano em exibição no Parque Central de Santo André (ABC Paulista). Modelo vai será testado em sistemas de transportes com características diferentes. Foto: Divulgação Scania.

Ônibus GNV/biometano em exibição no Parque Central de Santo André (ABC Paulista). Modelo vai será testado em sistemas de transportes com características diferentes. Foto: Divulgação Scania.

A Scania já tem um cronograma definido de testes com o ônibus a Gás Natural Veicular (GNV) que também pode ser movido a biometano (gás obtido na decomposição do lixo), apresentado nesta semana, durante o Seminário Nacional de Mobilidade Urbana da Associação Nacional de Transportes Urbanos (NTU), que ocorreu em Brasília.

O Blog Ponto de Ônibus conversou por telefone, na manhã desta sexta-feira, 26, com o diretor de Vendas de Ônibus da Scania do Brasil, Silvio Munhoz.

“Até pelo menos abril do ano que vem já está completo o cronograma de testes com esse ônibus. Há interesse principalmente de gestores públicos preocupados em melhorar as condições de meio ambiente das cidades” – disse o executivo.

O interesse pelas vantagens econômicas também foi grande. De acordo com os testes realizados no Brasil, com o modelo importado, e analisados pela Netz Engenharia Automotiva, o custo por quilômetro rodado ficou em R$ 0,89, enquanto um ônibus a diesel tem custo de R$ 1,24 por quilômetro.

Segundo Munhoz, já na próxima semana, o ônibus circulará em Sorocaba, no interior de São Paulo. Esses testes terão a participação da empresa fornecedora de GNV, Gás Fenosa Brasil, e deve durar um mês.

“Houve o interesse pela tecnologia de Gás Natural para o futuro corredor BRT de Sorocaba. O ônibus GNV ou biometano é bem indicado para sistemas de corredores porque além dos benefícios ambientais, com emissões menores de poluentes e vantagens econômicas, há também uma redução importante na emissão de ruídos, um dos problemas de BRT. Por este ônibus ter motor ‘ciclo otto’, é mais silencioso que os ônibus a diesel” – disse Munhoz ao Blog Ponto de Ônibus.

Depois de Sorocaba, o ônibus fará operações com GNV ou biometano em sistemas de transportes com características operacionais e climáticas diferentes. As datas podem ter variações. Confira:

– Recife: em outubro, o ônibus deve circular por Recife com GNV. É um projeto do Governo do Estado com a participação da empresa operadora do Grupo Metropolitana.

– Fortaleza: o ônibus deve operar no mês de novembro. Os testes serão com o biometano, gás obtido na decomposição do lixo, trazendo vantagens de redução de emissões de poluentes na operação do veículo e também auxiliando na questão da destinação e aproveitamento de resíduos. Os testes terão parceria com a empresa Ecometano.

– São Paulo: na Grande São Paulo, a partir do final de novembro e início de dezembro, o ônibus com GNV ficará entre dois e quatro meses. Os testes ocorrerão nas linhas municipais da capital paulista e também em linhas metropolitanas gerenciadas pela EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos. As linhas dos sistemas SPTrans e EMTU ainda serão definidas.

– Florianópolis, Porto Alegre e Londrina serão as cidades, nesta ordem, que terão o veículo em circulação.

MAU DESEMPENHO E LONGO TEMPO DE ABASTECIMENTO FICARAM NO PASSADO, GARANTE EXECUTIVO

O diretor de Vendas de Ônibus da Scania do Brasil, Silvio Munhoz, reconhece que, por causa das experiências com os ônibus a gás natural que operaram no Brasil entre os anos de 1980 e 1990, ainda há certa desconfiança em relação à viabilidade operacional desses veículos.

No entanto, o executivo garantiu que esses problemas ficaram no passado.

Segundo Munhoz, hoje, sensores no sistema de injeção dos ônibus a gás natural calculam a quantidade exata de combustível necessária em cada momento diferente da operação, como subidas e arrancadas. Com isso, a queima fica otimizada, eliminando o problema de desempenho.

Com nova tecnologia, abastecimento completo se dá em seis minutos. Foto: Scania.

Com nova tecnologia, abastecimento completo se dá em seis minutos. Foto: Scania.

Já o tempo de abastecimento também é outra questão que foi contornada, segundo Munhoz.

“É possível abastecer a carga total de 1.200 metros cúbicos em seis minutos com compressor de quatro estágios, comum no mercado. É, por exemplo, o que vai ocorrer nos testes em Sorocaba” – disse o diretor.

VEÍCULO TORNA-SE LUCRATIVO EM 2,5 ANOS DE OPERAÇÃO

Levando em conta simulações de preços de consumo de combustível e de peças e componentes, Silvio Munhoz diz que hoje o ônibus GNV/biometano é entre 20% a 25% mais caro que o ônibus convencional a diesel similar.

No entanto, ele garante que após dois anos ou dois anos e meio de operação, já é possível ter uma receita adicional em relação ao ônibus a diesel.

“Vários componentes foram acertados e são diferentes que os ônibus GNV no passado. Por exemplo, as velas que hoje são refrigeradas a água. No passado, a vida útil das velas era pequena, mas agora com esta a solução, o problema está resolvido” – diz o executivo, o qual garante que o custo de manutenção do ônibus GNV/biometano equivale ao veículo diesel, com a vantagem de ter um consumo de combustível mais em conta.

PRODUÇÃO PODE TER VÁRIAS CONFIGURAÇÕES

O ônibus em testes é de 15 metros de comprimento, piso baixo, possui motor com 280 cavalos de potência e carroceria Marcopolo Viale, que pode transportar até 130 passageiros.

Silvio Munhoz garantiu que já há capacidade técnica para produção no Brasil em outras configurações, como o ônibus padron a partir de 12 metros, e ônibus articulados a partir de 18,6 metros.

Ele também destacou que o motor já tem como base o padrão de redução de emissões Euro 6, usado na Europa.

“O motor é considerado Euro 6 ‘Ultra Limpo’, já que emite metade dos poluentes admitidos pelo padrão Euro 6” – lembrou.

Em comparação ao Euro 5, hoje em aplicação no Brasil, a redução de emissões pode ser de até 85%.

A produção em linha no Brasil já deve começar em 2017, revelou, faltando apenas a homologação de oito componentes, o que já está em andamento.

Munhoz lembrou que, além de ser amplamente utilizado na Europa, o ônibus GNV também é usado em cidades da América Latina, como Bogotá (Colômbia), Cidade do México (México) e Lima (Peru).

Esses ônibus foram desenvolvidos na planta do Brasil, em São Bernardo do Campo.

Assim, para o mercado interno, já está praticamente pronta a linha de produção, que, contando com a demanda da América Latina, trará o benefício do barateamento de cada unidade nacional.

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