Hidrogênio no Corredor ABD: testes vão até o dia 31 de março

Por , em 7 de março de 2016.

Depois veículos serão analisados e devem ser incorporados definitivamente aos serviços. De acordo com um dos fabricantes, veículos podem ter carga extra que confere 440 cavalos de potência.

Células de combustível ficam na parte traseira do teto e os cilindros de fibra de carbono que armazenam 31 quilos de hidrogênio cada estão mais a frente. Configuração poupa espaço interno. Foto e Matéria: Adamo Bazani (Blog Ponto de Ônibus)

Células de combustível ficam na parte traseira do teto e os cilindros de fibra de carbono que armazenam 31 quilos de hidrogênio cada estão mais a frente. Configuração poupa espaço interno. Foto e Matéria: Adamo Bazani (Blog Ponto de Ônibus)

Apresentados oficialmente no dia 15 de junho de 2015, os três ônibus movidos por células de hidrogênio no Corredor Metropolitano ABD, na Grande São Paulo, começaram somente no último dia 2 de março a operar em testes com passageiros.

Entre a apresentação e as operações em campo, as avaliações de desempenho e segurança foram feitas dentro da garagem da Metra, operadora do Corredor ABD, e também ao longo do trajeto das linhas, mas ainda com galões de água simulando o peso dos passageiros.

Esta primeira fase de testes com passageiros, de acordo com a EMTU – Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos vai até o dia 31 de março ou quando os veículos atingirem 18 mil quilômetros rodados. Nos testes sem usuários, cada ônibus rodou por dois mil quilômetros, no mínimo. No dia 2, entraram em circulação dois veículos e o terceiro deve começar a operar com os passageiros a partir do dia 15 de março.

O projeto foi implantado por meio de uma parceria entre Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD, Ministério de Minas e Energia – MME, Agência Brasileira de Cooperação – ABC e da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo S.A. – EMTU/SP, que exerce a Coordenação Nacional do Projeto.

Os ônibus a hidrogênio não emitem nenhum tipo de poluição durante a operação, são mais silenciosos, mas ainda representam uma novidade tecnológica tanto no Brasil como no mundo, com o projeto ainda sendo de alto custo.

De acordo com EMTU, apenas três países, além do Brasil, testam ônibus com esta forma de tração: Estados Unidos Canadá e Alemanha.

No dia 1º de julho 2009, o primeiro modelo de ônibus a hidrogênio foi apresentado também no corredor ABD. A tecnologia era mais simples na época, tinha menor índice de peças nacionais e o veículo tinha menor capacidade de passageiros, já que parte do conjunto de tração e baterias ficava localizada na traseira do ônibus, roubando espaço interno. Os novos modelos que estão sendo testados possuem a maioria dos equipamentos no teto.

De forma bem simplificada, ônibus a hidrogênio “funciona a água” e libera vapor em vez de fumaça.
A separação do hidrogênio e do oxigênio presentes na água é feita por um processo chamado eletrólise.

Pelo hidrogênio é gerada a energia elétrica que vai para as baterias, permitindo o funcionamento do veículo.

Na garagem da Metra, em São Bernardo do Campo, foi instalada a primeira Estação de Produção de Hidrogênio da América do Sul pela empresa Hydrogenics Advanced Hydrogen Solutions, em parceria com a Petrobras Distribuidora.

Na nota da EMTU, o supervisor operacional da Petrobras, Marco Antônio Anjos, explica como é feita a produção de 6 quilos de hidrogênio por hora.

“A água fornecida pela Sabesp chega aos tubos e passa por filtragem para a retirada de sais minerais. No outro compartimento, as pilhas de células de hidrogênio quebram as moléculas de água (eletrólise) para separar os dois gases, hidrogênio e oxigênio. Depois, o hidrogênio é purificado. O hidrogênio sai com alta pureza (sem gases, resíduos, água, oxigênio) e sem umidade, para garantir o bom funcionamento do ônibus. Depois, o gás é comprimido em alta pressão e fica reservado em tanques que abastecerão os cilindros dos veículos.”

Os ônibus carregam quatro cilindros feitos de fibra de carbono. Cada um deles tem capacidade para 31 quilos de hidrogênio cada. Os veículos também contam com células de combustível e baterias. O teto abriga os tanques, em sua parte dianteira, e as células, na traseira.

O engenheiro de uma das empresas que participam do projeto, o Grupo Tutto, Vinícius Zucco Padilha, disse, segundo a nota do governo do Estado, que a potência média do ônibus é de 220 cavalos, mas que pode chegar a 440 cavalos em situações que exigem maior esforço do veículo.

“Por segurança, há uma folga de 15% a 20% além da capacidade. Diferentemente dos outros veículos, o hidrogênio mantém desempenho linear. A bateria, abastecida com energia do hidrogênio, aciona o sistema de propulsão do motor evitando queda de resposta no arranque e pode dar cargas extras (aumento instantâneo de potência de 220 cavalos para 440 cavalos) em subidas.”

A bateria tem uma autonomia de 20 quilômetros sem receber nenhuma carga nova e se estiver completamente carregada, mas durante operação os cilindros carregados fornecem a energia necessária para bateria. O hidrogênio além de atuar na geração de energia para movimentação do ônibus, também garante o funcionamento do ar-condicionado, das lâmpadas LED e de todos os outros sistemas elétricos do ônibus.

O gerente de Planejamento, Desenvolvimento e Meio Ambiente da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo – EMTU, Ivan Carlos Regina, disse os veículos já têm possibilidade de comercialização.

“O projeto nacional mostra haver outras energias para mover os veículos de transporte público de modo sustentável, além do diesel, etanol, bateria, eletricidade. Fizemos um protótipo (2009) e pusemos três cabeças de série – podem ser reproduzidos e comercializados – para circular. O desempenho deles tem superado as expectativas”.

Vinícius Zucco Padilha disse que após esta etapa de testes, que se encerra no dia 31 de março ou quando 18 mil quilômetros forem atingidos, serão realizados relatórios do desempenho dos veículos. Havendo os resultados positivos, a expectativa é mantê-los na frota da Metra.

Atualmente os ônibus a hidrogênio circulam até 12 horas por dia. Para conseguirem operar na mesma faixa horária que os outros ônibus e trólebus da frota, que rodam até 20 horas por dia, será necessário ampliar a capacidade de produção de hidrogênio da estação na garagem.

Pinturas dos ônibus a hidrogênio na Metra homenageiam a fauna brasileira. O amarelo e verde faz alusão à Ararajuba, o azul e branco homenageia o Tuiuiú e o laranja e marrom lembra o Sabiá-Laranjeira.  Foto e Matéria: Adamo Bazani (Blog Ponto de Ônibus)

Pinturas dos ônibus a hidrogênio na Metra homenageiam a fauna brasileira. O amarelo e verde faz alusão à Ararajuba, o azul e branco homenageia o Tuiuiú e o laranja e marrom lembra o Sabiá-Laranjeira. Foto e Matéria: Adamo Bazani (Blog Ponto de Ônibus)

Um dos ônibus a hidrogênio, ainda na garagem da empresa Metra. Veículos vão já circulam com passageiros. Foto e Matéria: Adamo Bazani (Blog Ponto de Ônibus)

Um dos ônibus a hidrogênio, ainda na garagem da empresa Metra. Veículos vão já circulam com passageiros. Foto e Matéria: Adamo Bazani (Blog Ponto de Ônibus)

Células de combustível ficam na parte traseira do teto e os cilindros de fibra de carbono que armazenam 31 quilos de hidrogênio cada estão mais a frente. Configuração poupa espaço interno. Foto e Matéria: Adamo Bazani (Blog Ponto de Ônibus)

Células de combustível ficam na parte traseira do teto e os cilindros de fibra de carbono que armazenam 31 quilos de hidrogênio cada estão mais a frente. Configuração poupa espaço interno. Foto e Matéria: Adamo Bazani (Blog Ponto de Ônibus)

Estação de abastecimento de hidrogênio na garagem da Metra. Capacidade de produção terá de ser ampliada para os veículos operarem nos mesmos horários dos ônibus e trólebus. Foto e Matéria: Adamo Bazani (Blog Ponto de Ônibus)

Estação de abastecimento de hidrogênio na garagem da Metra. Capacidade de produção terá de ser ampliada para os veículos operarem nos mesmos horários dos ônibus e trólebus. Foto e Matéria: Adamo Bazani (Blog Ponto de Ônibus)

Estação de abastecimento de hidrogênio na garagem da Metra. Capacidade de produção terá de ser ampliada para os veículos operarem nos mesmos horários dos ônibus e trólebus. Foto e Matéria: Adamo Bazani (Blog Ponto de Ônibus)

Estação de abastecimento de hidrogênio na garagem da Metra. Capacidade de produção terá de ser ampliada para os veículos operarem nos mesmos horários dos ônibus e trólebus. Foto e Matéria: Adamo Bazani (Blog Ponto de Ônibus)

Pinturas dos ônibus a hidrogênio na Metra homenageiam a fauna brasileira. O amarelo e verde faz alusão à Ararajuba, o azul e branco homenageia o Tuiuiú e o laranja e marrom lembra o Sabiá-Laranjeira.  Foto e Matéria: Adamo Bazani (Blog Ponto de Ônibus)

Pinturas dos ônibus a hidrogênio na Metra homenageiam a fauna brasileira. O amarelo e verde faz alusão à Ararajuba, o azul e branco homenageia o Tuiuiú e o laranja e marrom lembra o Sabiá-Laranjeira. Foto e Matéria: Adamo Bazani (Blog Ponto de Ônibus)

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