A história da Cobrasma como fabricante de ônibus

Por , em 1 de março de 2016.

A gigante brasileira produtora de materiais metroferroviários também viu no segmento de ônibus uma oportunidade para escapar da crise dos anos 1980.

Trólebus da Cobrasma. A tecnologia da indústria metroferroviária para as ruas e corredores de ônibus ajudou o desenvolvimento dos transportes coletivos sobre pneus. Fonte Trólebus Brasileiros

Trólebus da Cobrasma. A tecnologia da indústria metroferroviária para as ruas e corredores de ônibus ajudou o desenvolvimento dos transportes coletivos sobre pneus. Fonte: Trólebus Brasileiros.

Uma das empresas que sem dúvida foi um dos marcos e orgulhos da indústria nacional relacionada aos transportes é a Cobrasma – Companhia Brasileira de Materiais Ferroviários. A companhia, que chegou a ser uma gigante brasileira na área de transportes, foi fundada oficialmente em 1º de setembro de 1944, em Osasco, na Grande São Paulo, com capital inicial de NCr$40.000,00. O empreendimento começou a ser pensando no início dos anos 1940, tendo com um dos principais responsáveis o empresário Gastão Vidigal, economista, político e proprietário do Banco Mercantil.

Por causa dos efeitos da Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945), a indústria, em todo o mundo, sofria fortes abalos, reduzindo sensivelmente o ritmo de produção de diversos bens, entre eles os relacionados aos transportes. O Brasil ainda vivia o auge da ferrovia com uma malha que atingia parcela significativa do território nacional. Devido à guerra, havia uma enorme dificuldade de importação de peças e carros ferroviários.

E a Cobrasma nasceu justamente para suprir essa necessidade. No início dos anos 1940, foi criado pelo Governo Federal o Setor de Produção Industrial, órgão sob o comando do Engenheiro Ary Frederico Torres, que tinha sido secretário de Viação e Obras Públicas no estado de São Paulo, em 1937. O engenheiro Ary Torres, o qual hoje dá nome a uma ponte que cruza o Rio Pinheiros, em São Paulo, ligando a Marginal Pinheiros à Avenida dos Bandeirantes, foi um importante aliado do banqueiro Gastão Vidigal para que a Cobrasma nascesse.

Gastão Vidigal, ainda no início dos anos 1940, começou a entrar em contato com investidores nacionais e internacionais, apresentando a proposta de uma empresa brasileira de materiais ferroviários. Houve interesse de várias partes, em especial dos Estados Unidos, para financiar o projeto, principalmente por intermédio do Eximbank, uma espécie de órgão de fomento das exportações norte-americanas.

No dia 21 de outubro de 1943, houve a primeira reunião para a inauguração da indústria de material ferroviário. Gastão Vidigal reuniu Olavo Egydio de Souza Aranha, um dos proprietários do grupo Monteiro Aranha, representantes da Companhia Siderúrgica Nacional – CSN e das ferrovias, como a Mogiana, Sorocabana e Paulista.

Gastão Vidigal fez uma verdadeira peregrinação para tornar realidade a Cobrasma. Ele entrou em contato com o empresário Guilherme Guinle, fundador da Companhia Docas de Santos. A empresa Belgo-Mineira tinha um terreno em Osasco. Guinle também pretendia montar uma indústria de material ferroviário. Vidigal, então, convidou acionistas da companhia Siderúrgica Nacional e da Belgo-Mineira para participarem da fundação da Cobrasma, que, finalmente, ocorreu em 1º de setembro de 1944.

A primeira constituição da Cobrasma foi:

  • Presidente: Gastão Vidigal
  • Vice-presidente: Heitor Freire de Carvalho
  • Diretor-superintendente: Ary Frederico Torres
  • Diretor comercial: José Gavião Gonzaga
  • Diretor: João Fleury Silveira
Construção das primeiras instalações da Cobrasma em Osasco, nos anos 1940. Foto: Klaus Werner.

Construção das primeiras instalações da Cobrasma em Osasco, nos anos 1940. Foto: Klaus Werner.

A Companhia Paulista, Companhia Mogiana, a Sorocabana e a Estrada de Ferro do Dourado participaram com 50% do capital social subscrito, e empresas como a Companhia Siderúrgica Nacional, a Belgo-Mineira e a Vale do Rio Doce subscreveram 10% desse capital.

O terreno da Cobrasma foi escolhido estrategicamente em Osasco, que fica a cerca de 20 quilômetros da capital paulista. O terreno tinha 260.575 metros quadrados ao lado de uma linha férrea servida tanto por bitola larga como por estreita, o que facilitaria o escoamento da produção. De dentro da Cobrasma, segundo o historiador Ari Marcelo Macedo Couto, saía um ramal férreo próprio, de 10,5 quilômetros, que fazia a ligação direta com a estação de Osasco e a Estrada de Ferro Sorocabana.

A demanda da Cobrasma nos primeiros anos de produção foi tão grande que houve a necessidade de dividir o empreendimento em oficina de montagem de vagões, fundição de aço, fundição de ferro, fábrica de molas e oficina de reparação de locomotivas. As primeiras peças fundidas e os componentes dos vagões ferroviários produzidos pela Cobrasma eram fabricados com a licença técnica fornecida pela American Steel Foundires, de Chicago, EUA.

Em 1945, era firmado um contrato com Whiting Corporation, fabricante de guindastes e macacos para locomotivas e vagões, mesas giratórias, guinchos, pontes rolantes e outras especialidades.

COBRASMA E SUAS DIVERSAS EMPRESAS

Caminhão Ford com diferenciais Braseixos. Cobrasma já visualizava indústria automotiva Foto: Ford

Caminhão Ford com diferenciais Braseixos. Cobrasma já visualizava indústria automotiva. Foto: Ford.

A Cobrasma era tão próspera que o gigante terreno em Osasco já não era mais suficiente logo nos primeiros anos de operação. A empresa começou a diversificar a produção, tendo companhias coligadas ou subsidiárias.

  • Fornasa S.A.: Em 1950, a Cobrasma incorporou a Fornasa – Forjas Nacionais S.A. A empresa foi fundada em 1945, sendo a primeira metalúrgica localizada em Volta Redonda. Desde 1947, a Cobrasma era a principal acionista da Fornasa.
  • Braseixos Rockwell S.A.: A Braseixos já era sinal de que a Cobrasma também tinha como foco a indústria automobilística, que começava a ganhar força nos anos 1950. Em 1951, a Cobrasma começou um programa de diversificação das linhas de produtos. Em novembro de 1955, a Cobrasma firmou contrato com a Rockwell Spring and Axle Company, depois chamada de North American Rockwell Corporation, para assistência técnica na produção de eixos dianteiros e traseiros completos, inclusive diferenciais, para carros, caminhões e ônibus. O sucesso desse acordo deu origem à empresa.
  • Brasprensas Rockwell S.A.: Ainda vislumbrando o crescimento da indústria de carros, caminhões e ônibus, a Cobrasma fez outra parceria, dessa vez com a Ibesa – Indústria Brasileira de Embalagens S.A., e fundou, em 23 de abril de 1960, a Parachoques Ibesa Rockwell Ltda. A Cobrasma e a North American Rockwell Co. assumiram o controle da sociedade, e o empreendimento, localizado em Osasco, passou a se chamar Brasprensas Rockwell S.A. As instalações de Osasco começaram a ser erguidas em 1963 e em 1967, a Brasprensas começou os serviços de estamparia metalúrgica, tendo como um dos principais clientes a Braseixos e a Volkswagen.

O PRIMEIRO TREM ELÉTRICO E O AUGE TECNOLÓGICO

Unidades dos primeiros trens elétricos sob licença da Francorail produzidos no Brasil no pátio da Cobrasma, em Osasco. Foto: CPTM em Foco

Unidades dos primeiros trens elétricos sob licença da Francorail produzidos no Brasil no pátio da Cobrasma, em Osasco. Foto: CPTM em Foco.

No final dos anos 1970, a Cobrasma foi a primeira empresa brasileira que construiu um trem elétrico com a licença da empresa francesa Francorail. Em 1977, a Fepasa – Ferrovias Paulista S.A. comprou 20 unidades, que já vieram da França montadas e prontas para operação. As demais unidades começaram a ser fabricadas pela Cobrasma, em Osasco. A Fepasa começava a remodelar o sistema de serviços correspondentes à linha-tronco da antiga Estrada de Ferro Sorocabana entre Júlio Prestes e Itapevi, hoje linha 8 – Diamante da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos.

A demanda pelos trabalhos da Cobrasma aumentava. No final dos anos 1970, a empresa inaugurava uma unidade em Sumaré, no interior de São Paulo, onde também foram feitos trens com licença da Francorail. A Cobrasma acompanhou a modernização da ferrovia, fornecendo trens e composições de metrô para importantes sistemas no Brasil, entre eles:

  • SÃO PAULO:
  • Metrô-SP
  • Trens da Linha 3-Vermelha até a composição 325 (sob licença da Francorail), em 2011 e 2014 foram reformados pela Frota K do Metrô de São Paulo
  • EBTU/CBTU – STU/SP (atual CPTM)
  • Série 400 (em conjunto com a FNV), atual Série 4400 da CPTM (Linha 12)
  • FEPASA (atual CPTM)
  • Série 9000 (em conjunto com o consórcio CCTU, sob licença Francorail), atual Série 5000 da CPTM (Linha 8)
  • VLT de Campinas
  • RIO DE JANEIRO:
  • EBTU/CBTU/Estrada de Ferro Central do Brasil (atual Supervia)
  • Série 400 (em conjunto com a FNV)
  • Série 900 (sob licença da Francorail
  • MINAS GERAIS:
  • CBTU
  • Trens do Metrô-BH (sob licença da Francorail).

ÔNIBUS PARA SOBREVIDA

Trabalhadores protestam contra a possibilidade do fechamento da Cobrasma. Foto: Sindicato dos Metalúrgicos.

Trabalhadores protestam contra a possibilidade do fechamento da Cobrasma. Foto: Sindicato dos Metalúrgicos.

Nos anos 1980, a realidade da Cobrasma não foi assim tão bem-sucedida, como nas décadas anteriores. A empresa começou a enfrentar problemas de várias ordens: os investimentos em ferrovias, tanto de carga como de passageiros, e no metrô começavam a diminuir de forma considerável. A inflação dos dez anos corroía os cofres públicos, os ganhos das indústrias, impossibilitando investimentos, e também o bolso do trabalhador. Além disso, a Cobrasma enfrentava problemas e erros administrativos internos.

Uma matéria da revista Isto É Dinheiro, de 1º de setembro de 2004, entrevistou Roberto Vidigal, considerado pela reportagem o último dos Vidigal na indústria. O texto faz uma citação sobre Luís Eulálio de Bueno Vidigal:

“A família Vidigal foi um nome onipresente no universo de negócios brasileiro. Não havia um setor sequer da economia no qual o clã não tivesse presença dominante. No mercado financeiro, Gastão Vidigal chegou a ser o maior de todos, com o Banco Mercantil de São Paulo. Não sobreviveu e foi vendido ao Bradesco. Na área comercial, Antônio Carlos Vidigal tornou-se um dos principais engarrafadores de Coca-Cola do Brasil com a Rio de Janeiro Refrescos. Sucumbiu e foi engolido pela própria multinacional americana. No mundo da produção, brilhou o nome de Luís Eulalio de Bueno Vidigal. Ex-presidente da Fiesp, foi responsável pelo crescimento e naufrágio da Cobrasma, uma das maiores metalúrgicas nacionais. Falida, sumiu do mapa”.

Como ocorreu com outras produtoras de materiais metroferroviários, a Cobrasma também apostou no crescente mercado de ônibus para ganhar uma sobrevida. Foi o que aconteceu, por exemplo, com a Mafersa, cuja história já abordamos aqui no Blog. Para se ter uma ideia da situação da Cobrasma, entre 1980 e 1983, a empresa demitiu aproximadamente 35% dos cerca de 17 mil empregados que tinha em todo o país. Comparativamente, hoje a Mercedes-Benz, maior fabricante de ônibus e caminhões, possui 10 mil funcionários na planta de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. A produção dos ônibus começou na unidade de Sumaré, no interior paulista.

TRINOX

O Trinox da Cobrasma teve poucas unidades vendidas, mas se destacou pela qualidade. Fonte: Cobrasma entre amigos

O Trinox da Cobrasma teve poucas unidades vendidas, mas se destacou pela qualidade. Fonte: Cobrasma entre amigos.

O primeiro modelo de ônibus produzido pela Cobrasma foi lançado em 1983. Era o ônibus Trinox, que tinha o design imponente. A empresa aproveitou toda a experiência e tecnologia da indústria metroferroviária e aplicou na produção de ônibus. O Trinox tinha revestimento externo e estrutura de aço inoxidável. A carroceria era monobloco, e a mecânica Scania K112CL, de 305 cavalos de potência. O terceiro eixo era fornecido pela Braseixos, empresa com participação da Cobrasma.

Além da imponência e da durabilidade dos materiais empregados, um dos destaques era o bagageiro do Trinox, que tinha portas com acionamento pantográfico e volume de 11,7 m³. O ônibus era mais leve que os concorrentes, porém era em torno de 30% mais caro, o que explica as baixas vendas. Em 1983, a Cobrasma tinha plano de fabricar 30 por mês. No entanto, até o final de 1985, tinha vendido apenas 15 ônibus. O modelo se destacou, por exemplo, em empresas como a Viação Garcia, em Londrina. O Trinox foi produzido até 1986.

TRÓLEBUS COBRASMA

Trólebus Cobrasma em produção. Modelos marcaram as operações no Corredor ABD, entre o ABC e a Capital Paulista. Foto: Trólebus Brasileiros.

Trólebus Cobrasma em produção. Modelos marcaram as operações no Corredor ABD, entre o ABC e a Capital Paulista. Foto: Trólebus Brasileiros.

Trólebus Cobrasma em produção. Modelos marcaram as operações no Corredor ABD, entre o ABC e a capital paulista. Foto: Trólebus Brasileiros.

Nos anos 1980, já havia planos do Governo Federal para a expansão da tração elétrica no setor de transportes urbanos e metropolitanos por ônibus. A Cobrasma também ficou atenta ao movimento, e, em 1984, deu início ao desenvolvimento de um protótipo de trólebus, em conjunto com a fabricante suíça de material elétrico, Brown Boveri. Os trólebus da Cobrasma tinham 12 metros de comprimento, carroceria de aço inox, chassi feito pela própria empresa, suspensão pneumática e eixos da Braseixos, companhia com participação da própria Cobrasma.

Entre os anos de 1985 e 1987, a Cobrasma fez três protótipos de trólebus utilizando plataforma Massari, que foram entregues para a Companhia de Trólebus de Araraquara – CTA, no interior paulista. Um dos veículos tinham equipamentos elétricos Brown Boveri, e os outros dois contavam com equipamentos Villares.

No entanto, a comercialização com maior sucesso ocorreu pela parceria com a Tectronic, do grupo Engesa.

As operações no Corredor Metropolitano ABD marcaram o nome Cobrasma em parte da história dos transportes metropolitanos por ônibus. Foto: Jorge Françoso de Moraes

As operações no Corredor Metropolitano ABD marcaram o nome Cobrasma em parte da história dos transportes metropolitanos por ônibus. Foto: Jorge Françoso de Moraes.

Em 1986, a Cobrasma formou consórcio com a Tectroniuc para concorrer à licitação para o fornecimento de 46 trólebus, que iniciariam as operações no corredor Metropolitano ABD, que liga o ABC Paulista à capital. O consórcio venceu a concorrência e produziu os veículos entre 1986 e 1988. A Cobrasma chamou estes veículos de “Patrol 2”, com equipamentos Powertronics.

A Cobrasma forneceria trólebus para outros sistemas, se não fossem problemas relativos a administrações públicas.

A Transerp, empresa de Ribeirão Preto, chegou encomendar protótipo Cobrasma, mas o veículo não passou da fase do projeto e a empresa local optou por adquirir mais ônibus a diesel.

Trolebus para a CTA, de Araraquara. Foto: Trólebus Brasileiros

Trolebus para a CTA, de Araraquara. Foto: Trólebus Brasileiros

Em 1986, a Cobrasma formou consórcio com a Mafersa para o fornecimento de trólebus articulados que iriam operar na capital paulista pela CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos, mas a empresa pública paulistana acabou suspendendo o projeto naquele ano. Um trólebus Cobrasma ainda é mantido pela Metra, operadora do Corredor ABD, sendo usado como veículo de treinamento.

Miniatura artesanal de trólebus Cobrasma feita em chapa metálica e vinil. Foto: Adamo Bazani.

Miniatura artesanal de trólebus Cobrasma feita em chapa metálica e vinil. Foto: Adamo Bazani.

COBRASMA CX

O Cobrasma CX 201 foi o primeiro da nova geração de ônibus rodoviários depois do Trinox

O Cobrasma CX 201 foi o primeiro da nova geração de ônibus rodoviários depois do Trinox. Foto: Gean Brito.

Apesar das vendas tímidas do Trinox, a Cobrasma conquistou uma boa reputação no mercado, justamente pela qualidade do veículo. Com o nome positivo, a empresa insistiu no segmento de ônibus rodoviários. Em 1986, a Cobrasma lançou o CX201. O veículo tinha 13,2 metros de comprimento, 3,5 metros de altura e era montado sobre o chassis Volvo, Scania ou Mercedes-Benz, com dois eixos. A estrutura ainda era de aço inoxidável, mas o revestimento passava a ser de alumínio. Nessa época, algumas unidades do CX201 recebiam um terceiro-eixo adaptado. O Trinox, nesse ano, só era produzido sob encomenda.

Entre o final de 1986 e início de 1987, a Cobrasma colocava no mercado outras duas novas versões de CX. O CX202 tinha 12 metros de comprimento e altura de 3 metros, que poderia equipar chassis Mercedes-Benz, Volvo ou Scania.

O Modelo Cobrasma CX 202 chegou a ser comprado por grandes frotistas, mas vendas foram modestas. Foto/Acervo: Alberto Gomes Vale.

O Modelo Cobrasma CX 202 chegou a ser comprado por grandes frotistas, mas vendas foram modestas. Foto/Acervo: Alberto Gomes Vale.

Já o CX301 tinha três eixos e 13,2 metros de comprimento sobre chassis Scania K112TL e K113TL e Volvo B58 e Volvo B10M, dependendo do ano. No ano de 1988, a Cobrasma também apresentava o projeto do CX204 para chassi Scania com motor dianteiro, mas sem sucesso.

O CX302 foi o último modelo de ônibus rodoviário de maior categoria feito pela Cobrasma. Foto: Vítor Dias.

O CX302 foi o último modelo de ônibus rodoviário de maior categoria feito pela Cobrasma. Foto: Vítor Dias.

Cobrasma CX301, sobre chassi Volvo B10M 6x2, ano 1988, da Viação Garcia. Foto: Fabrício do Nascimento Zulato.

Cobrasma CX301, sobre chassi Volvo B10M 6×2, ano 1988, da Viação Garcia. Foto: Fabrício do Nascimento Zulato.

RETA FINAL

Os ônibus da Cobrasma tinham qualidade, durabilidade, peso menor, mas eram caros, mesmo nas versões da série CX. Em 1987, a empresa só conseguiria vender 101 ônibus, sendo metade desse total para o mercado de reencarroçamento, que não tinha boa reputação.

A Cobrasma saiu do mercado de ônibus em março de 1990, mas deixou um legado importante entre as empresas que trouxeram a tecnologia da indústria metroferroviária para o segmento de ônibus urbanos e rodoviários. Na tentativa de escapar da crise, a Cobrasma também investiu em outros segmentos. No ano de 1985, uniu-se à alemã MAN-GHH para a fabricação de equipamentos, como pás-carregadeiras. Dessa parceira, foi fabricado o equipamento LF4, que tinha caçamba de 2 m³ e acionamento elétrico ou diesel.

Depois de ter pedido concordata em 1991 e em 1992, a empresa não resistiu, e, entre 1993/1994, começou a parar as atividades, com o encerramento completo da empresa em maio de 1998.

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