Tendência: Produzir o ônibus completo para ser competitivo e sobreviver

Por , em 22 de outubro de 2015.

JOSÉ CARLOS SECCO

Além de ter um design mais moderno sem perder a identidade da marca, o Irizar i 8 mostra uma tendência das grandes fabricantes: a venda de ônibus integrais. Não há chassi, a carroceria recebe os eixos, sistema de transmissão e o motor. Foto: Divulgação /Matéria: José Carlos Secco /Publicação: Blog Ponto de Ônibus – Adamo Bazani

Além de ter um design mais moderno sem perder a identidade da marca, o Irizar i 8 mostra uma tendência das grandes fabricantes: a venda de ônibus integrais. Não há chassi, a carroceria recebe os eixos, sistema de transmissão e o motor. Foto: Divulgação /Matéria: José Carlos Secco /Publicação: Blog Ponto de Ônibus – Adamo Bazani

A maior feira do mundo do segmento do ônibus mostra que as antigas encarroçadoras passam a produzir seus veículos integralmente. Apesar de no Brasil a realidade ser completamente diferente, na Europa para poderem competir e sobreviver em um mercado extremamente competitivo, exigente, seletivo e com regras bastante rígidas, as encarroçadoras foram obrigadas a se transformar e virar verdadeiras montadoras de veículos completos.

As principais competidoras, quer europeias, turcas ou chineses, passaram recentemente a comercializar os seus veículos completos e dão garantia, manutenção e pós-vendas com peças de reposição e serviços. De acordo com Gotzon Gomez, diretor de exportação da Irizar, essa mudança foi uma decisão estratégia e que se deu devido ao fato de que as tradicionais montadoras passaram a fazer os seus ônibus completos e a não fornecer chassis o que restringiu muito o espaço para as encarroçadoras e obrigou a essa transformação.

“Para isso, desde 2009 decidimos mudar o foco do negócio do grupo e passamos a desenvolver a nossa própria tecnologia em diferentes áreas para podermos produzir, desde 2013, o nosso ônibus completo e garantir que fosse competitivo, quer em qualidade, preço e também manutenção”, explica Gomez. No caso da Irizar, que começou a suas atividades em 1889 e fez a primeira carroceria em 1920, a companhia desenvolveu uma estrutura de ônibus mais reforçada e diferente que dispensa o uso do chassi e acopla os eixos e o powertrain direto. Com isso, houve uma redução de peso de cerca de 400 kg e também de custos, pois não há mais a necessidade de comprar o chassi. O mesmo fizeram as demais ex-encarroçadoras, como as belgas VDL, Van Hool, e as chinesas e turcas.

As vantagens são enormes, pois além da redução de peso – que permite ampliar a capacidade de passageiros e bagagem, e também a redução do consumo de combustível e emissões – e da redução de custos, o veículo ganha em resistência estrutural (segurança) e espaço interno. “Comercializando o produto completo passamos a concorrer em um segmento premium com preços mais altos e margens maiores. Também podemos negociar melhor com os nossos fornecedores de motor, transmissão e powertrain. Mas para ter sucesso é preciso garantir o pós-venda, a manutenção e a reposição de componentes. Este ano, um terço dos ônibus comercializados são integrais”, completa Gotzon Gomez.

Este ano, o grupo prevê faturar 550 milhões de euros, com crescimento de 5%. Oitenta por cento dessa receita vem das exportações e negócios no exterior. São 5 fábricas no mundo (Espanha, Marrocos, México e Brasil).

O novo Irizar i8 é um forte exemplo disto. Lançado esta semana, o ônibus consumiu investimentos de 20 milhões de euros (10 milhões direto no desenvolvimento do veículo e outros 10 milhões de euros em tecnologias que serão repassadas para as demais linhas), será comercializado em três diferentes tamanhos, 13,2m, 14,07m e 15m de comprimento, e produzido integralmente, com diferentes opções de motores Euro 6 DAF, de 420 a 508 hp, e de transmissões, automatizadas e automáticas, ambas fornecidas pela ZF.

Além de ter um design mais moderno sem perder a identidade da marca, o Irizar i 8 mostra uma tendência das grandes fabricantes: a venda de ônibus integrais. Não há chassi, a carroceria recebe os eixos, sistema de transmissão e o motor. Foto: Divulgação /Matéria: José Carlos Secco /Publicação: Blog Ponto de Ônibus – Adamo Bazani

Além de ter um design mais moderno sem perder a identidade da marca, o Irizar i 8 mostra uma tendência das grandes fabricantes: a venda de ônibus integrais. Não há chassi, a carroceria recebe os eixos, sistema de transmissão e o motor. Foto: Divulgação /Matéria: José Carlos Secco /Publicação: Blog Ponto de Ônibus – Adamo Bazani

O i8 inova, com um design arrojado, mas que mantém a identidade da marca. A frente e a traseira mantêm o estilo em “V” característico do i6 e do PB, mas a lateral não é reta e tem um vinco ou saliência acima dos bagageiros. “Fazer um ônibus com a lateral totalmente reta qualquer um faz”, provoca o diretor da Irizar.

Além do design e de ser comercializado integral, o i8 esbanja conforto, segurança e sofisticação. Ele oferece todos os equipamentos eletrônicos de segurança passiva e ativa, como sistemas de freios eletrônicos, estabilidade, controle de direção e sensores que identificam se o motorista está cansado. Para o passageiro, poltronas em couro, cinto de segurança de três pontos, muito espaço, controles individuais de ar-condicionado e entretenimento igual ao oferecido em voos internacionais, com seleção de filmes (inclusive em cartaz nos cinemas), notícias, programas, música e jogos. Portas de acesso (são duas, uma na frente e outra no meio ou atrás) e bagageiros com acionamento elétrico, câmeras de ré e na dianteira (que mostra a visão da estrada para o passageiro), sensores dianteiros e traseiros de aproximação, luzes em LED, inclusive nos faróis auxiliares.

Segundo Gomez, a partir do ano que vem, a fábrica do México também passará a produzir veículos completos. “Finalizamos os primeiros protótipos em agosto e nosso plano é oferecer ônibus completos em 2016. No Brasil, não vejo, no curto prazo, qualquer possibilidade de fabricarmos o ônibus completo pelas características do mercado e pela oferta de chassis. Mas em todos os mercados que não houver disponibilidade de chassis, vamos comercializar veículos integrais”, explica.

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