Crise econômica no País impede realização da edição 2015 da VVR

Por , em 19 de agosto de 2015.

Com dificuldades de patrocínio, evento que reúne ônibus e caminhões antigos, além de apaixonados pela história, não vai ser realizado neste ano. Organizador garante que VVR não acabou e deve voltar já no próximo ano.

Modelos que marcavam as lembranças e o coração de muitos sempre foram destaque na exposição, como o CMA Scania que era usado pela Viação Cometa.

Modelos que marcavam as lembranças e o coração de muitos sempre foram destaque na exposição, como o CMA Scania que era usado pela Viação Cometa.

 

Os problemas da economia brasileira decorrentes de erros na gestão do dinheiro público e de ações do governo federal consideradas equivocadas até mesmo pela atual equipe econômica, que lançou neste ano um pesado ajuste fiscal, interferem em praticamente todos os setores, inclusive na cultura e na realização de eventos.

É o que ocorre com a “VVR – Viver, Ver e Rever”, principal exposição do País que reúne ônibus e caminhões históricos, com modelos dos anos de 1920 até os veículos da década de 1990, além de lançamentos.

Organizado pelo Primeiro Clube do Ônibus Antigo Brasileiro, o evento não conseguiu patrocínio neste ano. Os apoiadores também sentem os efeitos da atuação situação brasileira.

O presidente do clube, Kaio Castro, contou ao Blog Ponto de Ônibus que nos próximos anos o evento deve continuar a ser realizado.

“É importante deixar bem claro que o fato de não ser realizada neste ano especificamente de 2015 não significa em hipótese alguma que a VVR acabou ou está acabando. É um momento. Nos próximos anos esperamos muitas VVRs. A VVR é muito mais que uma exposição de ônibus e caminhões antigos, é sim um encontro de amigos, de apaixonados pela história” contou Kaio que ainda acrescentou que até grupos escolares costumam comparecer às edições do evento para aprender a história de uma maneira lúdica, diferente e agradável.

A VVR faz parte do Calendário Turístico Oficial desde 04 de maio de 2011, quando o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, aprovou projeto de lei 1295, de 2009, à época do deputado Bruno Covas para incluir a exposição no calendário oficial.

Como o slogan VVR – A Evolução, evento também trazia novidades nas mais recentes edições. Em 2010, foi sucesso um articulado Volvo, da Leblon Transporte, considerado evolução na época para os transportes do ABC Paulista.

Como o slogan VVR – A Evolução, evento também trazia novidades nas mais recentes edições. Em 2010, foi sucesso um articulado Volvo, da Leblon Transporte, considerado evolução na época para os transportes do ABC Paulista. Foto: Tiago Papita.

 

HISTÓRIA DAS HISTÓRIAS

A VVR começou modesta, em 2004, numa reunião entre amigos na garagem da empresa de ônibus Expresso Redenção, na capital Paulista.

Inicialmente, a exposição era apenas de ônibus.

“As primeiras edições foram um sucesso. Foi gratificante ver o número de pessoas crescendo a cada ano, tanto de expositores como de apaixonados que iam para apreciar. Viver, Ver e Rever é isso. As pessoas vivem aquele momento quando se deparam com os veículos, veem estas peças históricas e conseguem rever uma parte da história das cidades, do País e até mesmo suas lembranças pessoais, já que os transportes estão presentes no dia a dia de todos.” – relembrou Kaio.

Por causa do grande número de pessoas interessadas pelo evento, em 2007 a VVR foi transferida para o Memorial da América Latina, ao lado dos terminais de trem, metrô e ônibus da Barra Funda, zona Oeste de São Paulo. No ano de 2008, foi aberta também a possibilidade de exposição de caminhões, além dos ônibus no evento.

Pela melhor localização, a VVR começou a ganhar mais público ainda, tanto de apaixonados por história e por veículos, como de pessoas que estavam passando pelo local e paravam para admirar as peças raras. A entrada sempre foi gratuita e para as próximas edições, o intuito é continuar não cobrando.

Carros de bombeiros do início do século passado, o ônibus GM PD 4104 Coach norte-americano todo prateado – 1956, da Turismo Santa Rita, as séries de caminhões da FNM, um dos primeiros modelos de trólebus da cidade de São Paulo ano 1949, o famoso Fofão (ônibus de dois andares da CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos, que circularam de 8 de setembro de 1987 até 1993), o Papa-Fila ( dos anos 50, precursor do ônibus articulado, que se tratava de uma grande carroceria para passageiros puxada por cavalo de caminhão e também foi usado pela CMTC), as jardineiras de madeira de 1928 da empresa Caprioli, o ônibus norte-americano escolar International, eram algumas estrelas de presença fixa, além de Monoblocos da Mercedes-Benz e modelos antigos como o Nimbus TR, Ciferal Flecha de Prata, Caio Amélia, Caio Gabriela, Caio Vitória e o lendário CMA Scania, da Viação Cometa e de colecionadores particulares.

O evento conseguiu atrair expositores e visitantes não só de São Paulo, como também de diversos outros estados.

VVR consegue reunir milhares de fás de história, de veículos e pessoas que ao passar eram surpreendidas positivamente pelos veículos expostos. Jardineiras de madeira posavam ao lado de ônibus de alta tecnologia

VVR consegue reunir milhares de fás de história, de veículos e pessoas que ao passar eram surpreendidas positivamente pelos veículos expostos. Jardineiras de madeira posavam ao lado de ônibus de alta tecnologia

 

Nas mais recentes edições, a VVR começou a ser chamada de VVR – a Evolução, já que começou também a apresentar alguns modelos que mostravam ao público o desenvolvimento dos transportes. Assim, entre novidades de cada edição puderam ser conferidos o Marcopolo Viale Volvo B12M, da Leblon Transporte de Passageiros (edição 2010), o ônibus Caio Millennium Scania a etanol, na época da VIM – Viação Metropolitana da Capital Paulista (edição 2011), o Caio Millennium Híbrido Eletra/Mercedes-Benz da Metra (edição 2011), Marcopolo Paradiso Mercedes Benz, de três eixos, da Viação Itapemirim (edição 2012), dois superarticulados Caio Millennium BRT da Metra e da Sambaíba Transportes (edição de 2014).

O evento, anual sempre em um final de semana de novembro, chegava a reunir mais de 25 mil visitantes e 80 veículos, entre ônibus e caminhões.

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