Arte sobre rodas

Por , em 28 de setembro de 2013.

Ônibus de Cuiabá circulam adesivados com obras de artistas plásticos.

ADAMO BAZANI – CBN

Ônibus circulam adesivados com obras de arte em Cuiabá e levantam a seguinte discussão: quem ganha com as padronizações das pinturas. Foto: Divulgação da Prefeitura

Ônibus circulam adesivados com obras de arte em Cuiabá e levantam a seguinte discussão: quem ganha com as padronizações das pinturas. Foto: Divulgação da Prefeitura

Para aqueles que defendem as frias, sem graça, feias e até mesmo com viés político padronização de pintura no transporte coletivo, vai um exemplo de que ônibus colorido não é poluição visual.

Muito pelo contrário, muitas empresas têm pintura que são verdadeiras obras de arte. Muitas urbanas têm se substituir sua identidade e seu padrão visual tradicional por linhas e cores que mais remetem a partidos políticos dos administradores de momento e que mais procuram exaltar o nome de uma prefeitura ou governo, que do prestador de serviço que realmente opera o transporte.

Isso acaba nivelando a qualidade dos serviços por baixo. A empresa que presta um bom serviço não se diferencia e a má empresa se esconde atrás das linhas e tintas padronizadas.

E uma iniciativa em Cuiabá, no Mato Grosso, prova que as latarias de ônibus podem trazer sim mais vida e alegria a uma cidade e sua população.

Nesta semana começaram a circular alguns ônibus do sistema municipal adesivados com as obras dos artistas plásticos Clóvis Irigaray, Elias de Paula, José Pereira, Vicente de Paula, Zeilton Mattos, Adir Sodré e Babu 78.

É uma forma de apresentar arte à população que não tem acesso a este tipo de manifestação cultural e promover os artistas locais.

Levar arte da pintura e do grafite para a população não é novo no mundo. A prática já é presente no metrô de Nova Iorque desde os anos de 1970, por exemplo.

E no Mato Grosso deve vir mais novidade por aí. Além dos ônibus municipais, os metropolitanos também devem receber manifestações artísticas.

Padronização de pintura de ônibus nem sempre significa uma cidade organizada. Pelo contrário, pode tirar do passageiro o direito de saber quem o está transportando e acima de tudo, tirar um pouco das cores das cidades que já são cinzentas.

Fora que as padronizações de pintura não deixam de ser campanhas partidárias enrustidas.

Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes