As mulheres que conduzem vidas

Antes dominado pelos homens, setor de transportes conta agora com mulheres que trazem para o dia a dia dos passageiros o dom de transportar vidas

ADAMO BAZANI

Mulheres de todas as áreas, desde a administração até a operação têm se tornado mais freqüentes no setor de transportes.

A mulher tem várias missões especiais. Entre as mais importantes é cuidar de vidas. Esse cuidado vem desde o período de gravidez, quando assume a incumbência especial de proteger e transportar um novo ser humano.
Ele está presente nas ações e no caráter da mulher no dia a dia. Ciente disso, Grupo Leblon Transporte de Passageiros tem em seus quadros mulheres profissionalmente capacitadas que atuam em várias funções.
Mas não há diferenciações entre sexos. O importante é ser bom profissional e atender bem ao passageiro.
Muitas mulheres podem ser consideradas verdadeiras batalhadoras. Elas são donas de casa, mães e excelentes motoristas, cobradoras, fiscais, secretárias, administradoras, funcionárias da limpeza entre outras profissões.
Rosimeire Sardo, de 44 anos, trabalha há 12 anos no setor de transportes. Ela é motorista no Grupo Leblon. Rosimeire destaca que as mulheres são calmas ao volante e cuidadosas e diz que no seu caso, dirigir está no sangue. “Meu pai é motorista, minha irmã também e tenho parentes até no exterior que dirigem” – diz orgulhosa.
A cobradora Maria Pereira dos Santos de 44 anos diz que o segredo para conciliar trabalho e as funções do lar é se organizar quanto aos horários.
Carina Barbosa, assessora de tráfego, evoluiu profissionalmente na área de transportes. O dom de transportes já vem de família. Seu pai, José Pereira de Oliveira, trabalhava com caminhão próprio no Paraná. Carina seguiu os passos do pai e já muito nova aprendeu a dirigir o veículo.

Carina Barbosa: Pegou no volante de caminhão aos 14 anos de idade. Naquele momento viu que sua vocação era dirigir. Cresceu na profissão e hoje coordena tráfego na Leblon de Mauá

“Com 14 anos eu já peguei pela primeira vez ao volante. Foi uma sensação muito gostosa, foi minha decisão do que eu ia seguir na vida” – relembra Carina, hoje com 31 anos.
Em outubro de 2004 foi a primeira vez que foi trabalhar numa empresa de ônibus, na Leblon, em Fazenda Rio Grande, Paraná., já como motorista.
Foi a primeira mulher a dirigir ônibus na empresa.
“Tive apoio dos colegas de trabalho, mas os passageiros, de início ficaram espantados. Eu fazia horário de pico. Os passageiros olhavam, embarcavam e ficavam observando. Sofri alguns preconceitos de próprias mulheres. Uma delas chegou a me chamar de ‘metida’. A empresa me deu a oportunidade de vir para Mauá e ser assessora de tráfego” – diz.
A Leblon de Mauá tem 72 mulheres nos seus quadros de funcionários.

ALÉM DE DIRIGIR E COBRAR

Rosângela da Silva Gonçalves trabalha na área de manutenção dos modernos ônibus da Metra, o que requer profissionalismo e especialização

As mulheres, no setor de transportes hoje ocupam mais funções que eram tradicionalmente dos homens. Elas vão além das funções de dirigir e cobrar.
Outra empresa no ABC Paulista que valoriza o trabalho e o talento feminino é a Metra, que opera as treze linhas do Corredor Metropolitano ABD, que liga São Mateus, na zona Leste de São Paulo, a Jabaquara, na zona Sul, passando por Santo André, Mauá (Terminal Sônia Maria), São Bernardo do Campo e Diadema, além do trecho entre Diadema / Brooklin – Berrini.
A empresa, considerada modelo de operações e líder em rankings de qualidade nos transportes, deve este sucesso aos seus colabores, incluindo as 384 mulheres, que representam 25% do quadro de funcionários.

Clésia Oliveira Reis é prova da valorização da Metra ao trabalho das mulheres, que é feito com zelo e dedicação especiais. A empresa que opera o Corredor Metropolitano ABD é formada por 384 mulheres que correspondem a 25% do quadro de funcionários

Além do pessoal da parte administrativa, motoristas e da bilhetagem, até na manutenção há a atuação do zelo feminino.
É o caso de Rosângela da Silva Gonçalves que atua como eletricista na manutenção dos modernos veículos da empresa, o que requer especialização e muito profissionalismo.
Quem passa pelo corredor servido pelos ônibus e trólebus da Metra percebe a presença constante de motoristas como Clezia Oliveira Reis que tem orgulho da profissão.
E a Metra vai retribuir todo este carinho e dedicação que as mulheres a cada dia demonstram no exercício da profissão na área dos transportes no dia 11 de março, quando promoverá uma série de atividades voltadas para elas. Serão manicures, massagistas, cabeleireiras, fisioterapeutas e nutricionistas que, em suas funções, proporcionarão o melhor para que estas mulheres tenham o melhor em relação a beleza, saúde e bem estar.
As passageiras também serão presenteadas.
No dia 10 de março, no Terminal Metropolitano de São Bernardo do Campo, próximo ao Paço Municipal, ao meio dia, haverá a apresentação do Coral Cristal, que já existe há 10 anos. Regido pela maestrina Beth Caran, nasceu de uma oficina voltada para o público da melhor idade. Hoje é composto por 32 mulheres e 4 homens, todos com idades superiores a 50 anos.
No dia 11 de março, quem passar pelo Terminal Metropolitano em Santo André, das 16h às 18h poderá assistir a um show instrumental. Haverá também distribuição de panfletos com informações referentes à Lei Maria da Penha. Através de uma parceria com a Prefeitura de Santo André está programada a divulgação do serviço municipal de atendimento às mulheres, em especial o VEM MARIA – Centro de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência, que oferece orientação e apoio psicossocial. Além de alertar os usuários do transporte metropolitano sobre a problemática da violência doméstica, o evento gratuito proporcionará a todos que passarem no Terminal entretenimento ao som de músicas instrumentais executadas por um saxofonista e um trompetista.
Adamo Bazani