Adamo Bazani
INAUGURAテテグ DE LINHAS:
Nos anos 50, a CMTC, totalmente estruturada e forte chama a atenテァテ」o pelo volume de compra de テエnibus, para atender a demanda crescente de passageiros. Vale lembrar que foi nos anos 50 o grande inテュcio do crescimento industrial brasileiro. A cidade de Sテ」o Paulo e os municテュpios vizinhos, jテ。 pela estrutura de vias e transportes, que facilitavam o escoamento da produテァテ」o e os deslocamentos dos trabalhadores, atraテュam mais investimentos industriais, e mais pessoas de todo o Paテュs vinham para Sテ」o Paulo. Nesta テゥpoca, se deu o surgimento de outros novos bairros, muitos de periferia, pois havia uma mテ」o de obra com pouca qualificaテァテ」o, com menor renda, mas que tambテゥm era atraテュda pela indテコstria e pela construテァテ」o civil. Essa massa de trabalhadores ocupa regiテオes mais afastadas do centro de Sテ」o Paulo. テ uma nova onda de crescimento acelerado de Sテ」o Paulo vivenciava, sテウ que numa intensidade bem maior que nos anos 20/30, com jテ。 vimos. Novamente os trilhos dos trens e dos bondes nテ」o conseguiram acompanhar este ritmo e foi a flexibilidade dos テエnibus que mais uma vez tentou suprir esta demanda, テs vezes de maneira satisfatテウria, outras vezes nem tanto.
Mas com mais passageiros, duas coisas eram necessテ。rias: mais テエnibus e mais linhas. Os lotes de compra da CMTC eram de deixar qualquer fabricante satisfeitos. Para se ter uma idテゥia, de uma sテウ vez, a Companhia Municipal de Transportes Coletivos comprou em 1950 dos Estados Unidos, 200 テエnibus Twin Coach.
As linhas tinham de ser mais planejadas. Nテ」o bastava ligar um bairro a outro. Era necessテ。rio estudar a cidade. As demandas de passageiros, o trテ「nsito e as テ。reas de concentraテァテ」o residencial e industrial e traテァar a cidade.
No dia 27 de janeiro de 1959 テゥ criada a primeira linha Diametral de Sテ」o Paulo, ligando Belテゥm a Pinheiros. A experiテェncia de traテァar itinerテ。rios diametrais deu certo. O trajeto correspondia テ demanda exigia e com uma sテウ linha se substituiria outras pequenas ligaテァテオes que, em alguns pontos e horテ。rios eram ociosas jテ。 em outros, insuficientes. No dia 20 de fevereiro de 1959, foram criadas outras linhas deste tipo, como a do Paraテュso para Casa Verde.
Antes porテゥm outras linhas importantes, sem o conceito diametral foram inauguradas em Sテ」o Paulo pela CMTC. Uma das mais importantes foi a Penha / Lapa, que comeテァou as operaテァテオes em 1953. No ano de 1978 deixou de operar, mas por exigテェncia dos passageiros retorna em 1979 e em 1983, segundo levantamento da CMTC, se tornou a linha mais movimentada da cidade. No dia 4 de setembro de 1957 nascia outra linha de grande importテ「ncia, a Pedreira 窶 Anhangabaテコ.
OS EMPRESテヽIOS QUEREM VOLTAR AO SISTEMA:
Se por um lado representava custos para o poder pテコblico, a nova formulaテァテ」o dos transportes coletivos despertou interesse dos empresテ。rios de テエnibus, que a partir dos anos 60, motivados pelas facilidades geradas pelo crescimento da indテコstria automobilテュstica, comeテァaram a se organizar para voltarem ao sistema de linhas centrais, operados em sua maioria pela CMTC apテウs sua criaテァテ」o em 1946.
As empresas comeテァaram a pressionar o poder pテコblico para criarem novas linhas ou encamparem os rentテ。veis trajetos da CMTC. Elas se associaram em sindicatos, os empresテ。rios usavam o poder econテエmico e no meio dos anos 60, houve uma inversテ」o de papテゥis. Se na dテゥcada de 50, a CMTC foi responsテ。vel por 90 por cento dos transportes pテコblicos, nos anos de 1960, ela sテウ correspondia a 20 por cento, segundo anテ。lises das relaテァテオes de linhas e empresas da テゥpoca. Os outros 80 por cento jテ。 estavam nas mテ」os de empresテ。rios particulares. A cidade foi loteada no quesito transporte. Diferentemente dos anos 20 e 30, em que os donos de テエnibus de テエnibus disputavam mesmos trajetos, nos anos 60, eles se dividiram em テ。reas. As melhores ficavam com os maiores. Assim, surgiam empresas poderosas principalmente nas zonas Sul, Leste e Norte da Capital Paulista.
Com o crescimento das empresas de テエnibus e problemas financeiros da CMTC, os bondes comeテァavam a ficar em segundo plano. Atテゥ que o sistema de bondes foi desativado em 1968. No dia 28 de marテァo, terminava a linha 101, que ia do centro da cidade para Santo Amaro.
Nos anos 70, as empresas particulares de テエnibus ganhavam mais participaテァテ」o ainda. A CMTC, que nos anos 50 tinha 90 por cento dos transportes, nos anos 60 caiu para 20 por cento, sテウ tinha em 1975, 14 por cento das linhas de テエnibus. Nesta dテゥcada, tambテゥm jテ。 estava criada a Secretaria Municipal de Transportes, que foi implementada em 1968, o que revela a importテ「ncia que o setor ganhava na cidade e na administraテァテ」o pテコblica. Sテ」o Paulo jテ。 nテ」o mais gerenciava linhas de jardineiras. O sistema era complexo e foi necessテ。ria a formaテァテ」o de uma pasta e de uma equipe para acompanhar a fase da evoluテァテ」o dos transportes em Sテ」o Paulo, registrada nos anos 70.
Neste テゥpoca tambテゥm, a CMTC, mesmo sendo empresa pテコblica renovou o contrato com a Prefeitura de Sテ」o Paulo e os empresテ。rios ganham mais um trunfo. A cidade foi dividida em 23 テ。reas de operaテァテ」o e a CMTC poderia contratar os serviテァos das empresas de テエnibus. Era o que o empresariado do setor de transportes queria. As linhas eram planejadas pela CMTC, seus custos de implementaテァテ」o eram bancados pela empresa de transportes pテコblicos, e os empresテ。rios apenas colocavam suas frotas e trabalhadores para explorarem as linhas, recebendo por isso.
A CMTC continuava sendo operadora, mas assumia um papel importante de gerenciadora do sistema de transportes pテコblicos nos anos 70.
O trテ「nsito e os transportes assumiam mais destaque na cidade de Sテ」o Paulo, com seus problemas, como congestionamentos e gerenciamento de linhas de テエnibus, e soluテァテオes, como abertura ou ampliaテァテ」o de vias importantes e com os テエnibus atendendo uma populaテァテ」o cada vez maior. Alテゥm da criaテァテ」o da Secretaria Municipal de Transportes, em 1968, テゥ a vez de se pensar num テウrgテ」o para gerenciar e controlar os problemas do trテ「nsito,, jテ。 intenso em Sテ」o Paulo. Em 1976 foi fundada a CET 窶 Companhia de Engenharia de Trテ。fego. O poder pテコblico, pela experiテェncia da desordem da expansテ」o das linhas de テエnibus entre 1930 e 1940, viu que, mesmo com o carテ。ter capitalista do sistema de テエnibus, com empresas privadas vendendo comercialmente um serviテァo pテコblico de deslocamento, o governo municipal tinha de ter テウrgテ」os para controlar um sistema, que nテ」o pode ser regido apenas pelo mercado.
No final dos anos 70, a CMTC assumia boa parte das inovaテァテオes tecnolテウgicas dos transportes por テエnibus em Sテ」o Paulo. Testou os テエnibus Padron, com padronizaテァテ」o de dimensテオes estipulada por テウrgテ」os tテゥcnicos federais e comeテァou a implantar o Sistran, que foi um programa, elaborado pelo prefeito Olavo Setテコbal, que comandou o executivo municipal entre os anos de 1975 a 1979. O objetivo era modernizar o sistema de trolebus na cidade de Sテ」o Paulo, que depois de algumas crises financeiras da CMTC e desinteresse de alguns governantes,apresentava sinais de deteriorizaテァテ」o. O Plano era muito bom. Previa renovaテァテ」o de rede aテゥrea, ampliaテァテ」o da malha de trolebus, criaテァテ」o de faixas exclusivas para os trolebus e renovaテァテ」o e reforma da frota, com a aplicaテァテ」o de novos conceitos nos trolebus, como equipamentos modernos que deixavam as viagens de trolebus mais acessテュveis para portadores de necessidades especiais e mais confortテ。veis, com suspensテオes mais modernas e sistemas de direテァテ」o que traziam mais comodidade para motoristas e usuテ。rios.

Trolebus Marcopolo Ansaldo, um dos veテュculos adotados pelo Sistran, no final dos anos 70. O Plano, comandado pelo entテ」o Prefeito Olavo Setテコbal tentava revitalizar o sistema de trolebus na cidade e ampliテ。-lo, mas foi abandonado por falta de interesse dos sucessores de Setテコbal
Olavo Setテコbal era um entusiasta dos trolebus, ainda mais frente aos altos custos do petrテウleo a partir dos anos 70. Sua intenテァテ」o era de, num primeiro momento, aumentar a rede de trolebus em Sテ」o Paulo de 115 quilテエmetros para 280 quilテエmetros, colocando no sistema 1280 テエnibus elテゥtricos.
Mas o Plano acabou fracassando por descontinuidade administrativa. Apenas foram feitos pequenos reparos no sistema jテ。 implantado e alguns veテュculos novos foram colocados em operaテァテ」o. O Sistran, que poderia ser uma テウtima alavancada para que Sテ」o Paulo tivesse uma rede de テエnibus de tecnologia limpa, como ocorre na Europa e Amテゥrica do Norte, acabou sendo abandonado.
Os anos 80 foram marcados na histテウria dos transportes da cidade de Sテ」o Paulo por altos e baixos. A テゥpoca era de inflaテァテ」o. As tarifas subiam mais que os salテ。rios, mas nテ」o o suficiente para cobrir os custos do sistema. Muitas empresas faliram e outras, com a queda da qualidade de serviテァo, sem, por exemplo, poderem renovar suas frotas, foram alvos de intervenテァテオes do poder pテコblico. Por conta disso, nesta テゥpoca, a participaテァテ」o da CMTC nas operaテァテオes aumentava. Mas isso custaria muito テ Companhia Municipal, que por vezes, assumia empresas e linhas deficitテ。rias e mal administradas, acumulando prejuテュzos.
Mas os anos 80 tambテゥm foram marcados por inovaテァテオes tecnolテウgicas, como os testes de テエnibus a Gテ。s Natural, a colocaテァテ」o de veテュculos monoblocos mais modernos e confortテ。veis e a criaテァテ」o de corredores e faixas exclusivas com maior テ。rea de atendimento.
A CMTC, com base nos problemas entre a relaテァテ」o jテ。 conturbada entre carros e テエnibus, que dividiam o mesmo espaテァo, elabora o PAI 窶 Programa de Aテァテ」o Imediata da Rede Metropolitana de Trolebus. Era uma tentativa de racionalizar e otimizar o sistema e reativar alguns dos pontos dos Sistran, que nテ」o foram colocados em prテ。tica pela descontinuidade administrativa. Entre os principais pontos do PAI, para aumentar a velocidade mテゥdia dos テエnibus, que vivam jテ。 prejudicados pelos congestionamentos, estava a construテァテ」o de corredores exclusivos e faixas prioritテ。rias.

Corredor de テエnibus 90 de julho. Os anos 80 e 90 foram marcados por vテ。rios planos e estudos para otimizar os transportes coletivos. O objetivo era diminuir a lotaテァテ」o e o tempo das viagens, jテ。 que os テエnibus ficavam presos entre os carros particulares no trテ「nsito. A implementaテァテ」o e a ampliaテァテ」o de corredores de テエnibus foram uma das principais medidasCorredor de テエnibus 90 de julho. Os anos 80 e 90 foram marcados por vテ。rios planos e estudos para otimizar os transportes coletivos. O objetivo era diminuir a lotaテァテ」o e o tempo das viagens, jテ。 que os テエnibus ficavam presos entre os carros particulares no trテ「nsito. A implementaテァテ」o e a ampliaテァテ」o de corredores de テエnibus foram uma das principais medidas
Os primeiros corredores exclusivos para serem construテュdos, com uma nova concepテァテ」o de atendimento ao usuテ。rio, inclusive pensando na acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida, fazendo plataformas na altura dos degraus dos テエnibus, foram as ligaテァテオes
- Santo Amaro – 9 de Julho
- Santo Amaro – Brigadeiro Luis Antonio
- Santo Amaro – Ibirapuera
- Rio Branco – Deputado Emテュlio Carlos
Tambテゥm estavam incluテュdos no projeto PAI, terminais de interligaテァテ」o de linhas ao longo destes corredores.
Entre 1983 e 1984, os estudos se concentraram para a construテァテ」o dos corredores Santo Amaro 窶 9 de julho e Rio Branco e Deputado Emテュlio Carlos. O principal objetivo dos trabalhos era criar condiテァテオes viテ。rias para a concretizaテァテ」o dos corredores. Ver o melhor tipo de asfalto ou concreto empregados e o traテァado dos corredores, bem como os pontos e a forma de acesso aos veテュculos foram as principais aテァテオes estudadas.
No ano de 1985, foram iniciadas os obras do corredor Santo Amaro 窶 Nove de Julho. O corredor Paes de barros tambテゥm estava sendo elaborado.
Mesmo ano que surgiu outro plano audacioso para melhorar o Sistema de Transportes Coletivos. O PMTC 窶 Plano Municipal de Transportes Coletivos, que alテゥm de deixar o sistema melhor e mais racional, tinha como objetivo ver os transportes da cidade de Sテ」o Paulo como um todo, com o テエnibus complementando os trens e o metrテエ. O PMTC reuniu pontos levantados e estudados pelo Sistran (o Plano de Olavo Setテコbal que tentou revitalizar os trテウlebus em Sテ」o Paulo) e o PAI, o plano que visava dar mais mobilidade e agilidade aos テエnibus, por intermテゥdio, principalmente da construテァテ」o de corredores.
O Brasil jテ。 tinha experiテェncia positiva desde 1974 sobre corredores de テエnibus, com o exemplo do Sistema de Trテ。fego Segregado para Coletivos em Curitiba, que ainda hoje, テゥ base para implantaテァテオes se sistemas no mundo todo.
テ bem verdade que os corredores de テエnibus de Sテ」o Paulo estテ」o bem aquテゥm do sistema de Curitiba, que conta com pontos de ultrapassagens para evitar congestionamentos de テエnibus, estaテァテオes de transferテェncia, pontos de embarque que deixam o piso do salテ」o dos テエnibus nテュvel da calテァada e cobranテァa antes da entrada nos veテュculos, aumentando a velocidade e conforto de embarques e desembarques, alテゥm de estaテァテオes cobertas e que realmente protegem o usuテ。rio da chuva e do sol, as chamadas estaテァテオes tubo.
O PMTC apresentou a meta de construテァテ」o de 28 corredores e 23 terminais de transferテェncia. Uma polテュtica tarifテ。ria e reorganizaテァテ」o da distribuiテァテ」o das linha tambテゥm fizeram partes do PMTC, que levava em conta pontos dos Plano Diretor do Municテュpio de Sテ」o Paulo e Plano Metropolitano de Transporte 窶 PMT.
Infelizmente, a exemplo do Sistran, do PAI, o PMTC nテ」o teve todas as suas metas cumpridas.
Neta テゥpoca, tambテゥm uma necessidade para a viabilizaテァテ」o dos transportes em Sテ」o Paulo veio テ tona. A cidade e a regiテ」o Metropolitana tinham crescido de tal maneira, tanto em populaテァテ」o como em テ。rea urbana, que sテウ o テエnibus, o trテウlebus, os テエnibus e os trens isoladamente nテ」o dariam mais conta das necessidades dos passageiros. O termo 窶彿ntegraテァテ」o de modais窶 acaba tomando a ordem das discussテオes sobre as melhorias dos transportes na cidade. E as experiテェncias comeテァaram nesta dテゥcada. Em 1980, foi implantado o sistema de transferテェncia テエnibus 窶 trolebus com a construテァテ」o dos terminais de Vila Prudente e Penha. Em 1983, iniciou-se a integraテァテ」o テエnibus-trem. A primeira linha a integrar-se com o trem foi a Pinheiros 窶 Largo Sテ」o Francisco, da CMTC, com as composiテァテオes da Fepasa 窶 Ferrovias Paulistas S.A. Ainda sobre as tecnologias de combustテュvel limpo, vale destacar a operaテァテ」o experimental de テエnibus a gテ。s metano, ap partir de 1984, na linha da CMTC, Ceasa-Lapa.
Apesar de todas as inovaテァテオes e projetos contemplados nos anos 80, ainda na dテゥcada de 1990, os transportes estavam muito longe do ideal. Linhas deficitテ。rias, problemas de relaテァテ」o entre empresas e poder pテコblico, poucos corredores, lotaテァテ」o, empresas com frotas de テエnibus velhos, que deram margem ao transporte coletivo, exigiam intervenテァテオes drテ。sticas.

O inテュcio dos anos 90 foi marcado pela municipalizaテァテ」o dos transportes coletivos em Sテ」o Paulo. A CMTC contratava as empresas e as remunerava pelos custos operacionais. Muitas empresas se aproveitaram a oportunidade para sobrecarregar linhas de テエnibus, aumentar custos e remuneraテァテ」o. A テゥpoca foi marcada tambテゥm pela operaテァテ」o em massa dos テエnibus a gテ。s natural
E foi o que aconteceu, numa tentativa de melhorar o sistema que crescia fora do controle novamente, com a 窶徇unicipalizaテァテ」o窶 dos transportes coletivos em Sテ」o Paulo, atravテゥs da Lei 11.037. A partir de 25 de julho de 1991, as empresas comeテァaram a receber por custo operacional e nテ」o mais pelo dinheiro obtido nas catracas.
A medida, entre outros objetivos, era para equilibrar a oferta de serviテァos e distribuテュ-la de maneira mais igualitテ。ria entre a cidade. Isto porque, enquanto havia linhas de alta lucratividade, que recebiam investimentos da empresa, outras regiテオes eram prejudicadas por terem linhas mais deficitテ。rias, nテ」o sテウ em relaテァテ」o a demanda de passageiros menor, mas テs dificuldades operacionais que gerariam custos.
Era テゥpoca da gestテ」o Luiza Erundina, entテ」o prefeita pelo PT.
As empresas de テエnibus eram contratadas pela prefeitura e nテ」o mais donas das linhas. Elas tinham de prestar serviテァos em toda a cidade de Sテ」o Paulo, inclusive nas menos lucrativas ou com operaテァテオes mais caras. Todo o dinheiro da catraca era repassado para a Prefeitura, que, calculava a tarifa e remunerava as empresas de acordo com seus custos.
Nas regiテオes mais afastadas do centro e dos bairros mais populoso, ou em テ。reas cujo acesso era mais difテュcil e a distテ「ncia maior, a qualidade do serviテァo melhorou.
O problema do sistema テゥ que o custo operacional era maior do que a Prefeitura arrecadava nas catracas. Alテゥm disso, em linhas de boa demanda, os empresテ。rios alegavam a necessidade de colocar mais テエnibus. Alguns coletivos, principalmente no perテュodo entre os horテ。rios de pico, rodavam com poucos passageiros. Algumas viagens eram desnecessテ。rias, mas aumentavam a conta do custo operacional e foi uma oportunidade para os donos das empresas de テエnibus ganharem um pouco mais com a municipalizaテァテ」o.
Na mesma テゥpoca, foram municipalizadas as formas de remuneraテァテ」o das empresas nas cidades de Santo Andrテゥ, com a criaテァテ」o da EPT 窶 Empresa Pテコblica de Transportes, em Sテ」o Bernardo do Campo, com a ETCSBC- Empresa de Transportes Coletivos de Sテ」o Bernardo do Campo, e Diadema, com a ETCD 窶 Empresa de Transportes Coletivos de Diadema, que a exemplo da CMTC, alテゥm de serem gestoras, eram no perテュodo operadoras de vテ。rias linhas, inclusive de empresas que sofreram intervenテァテオes municipais, como o caso da Viaテァテ」o Alpina, em Santo Andrテゥ.
A CMTC ao longo de sua histテウria, havia assumido vテ。rios riscos e sido pioneira em diversas iniciativas na cidade de Sテ」o Paulo. Desde ter herdado o sistema de bondes abandonado pela Light & Power, nos anos 40, passando por readequar o serviテァo de テエnibus na mesma dテゥcada, que crescia de forma desordenada, sendo responsテ。vel pelo monopテウlio das linhas municipais de Sテ」o Paulo, a investir em novas tecnologias, contando com importaテァテ」o de テエnibus muito mais modernos que os nacionais, a implementaテァテ」o dos trolebus, os testes para o uso de combustテュveis limpos, e atテゥ mesmo assumindo todas as linhas novamente nos anos 90 e remunerando as empresas, sempre os custos dos transportes por テエnibus na cidade eram pagos pela CMTC.
Alテゥm disso, erros administrativos e abusos da mテ。quina pテコblica tambテゥm foram registrados na Companhia Municipal. Hテ。 historiadores e antigos funcionテ。rios da empresa que dizem que, se algum polテュtico precisasse empregar alguテゥm que o ajudou na campanha, a CMTC era a primeira a ser procurada.
Todo esse conjunto fez com que as finanテァas da empresa estivessem deterioradas, assim como parte de seus serviテァos e frotas, apesar do esforテァo de vテ。rios funcionテ。rios de diferentes setores que queriam manter o padrテ」o da CMTC de seu auge, entre os anos 50 e 80.
Vendo que seria esforテァo demais e arriscado tentar recuperar a empresa pテコblica, medida que alテゥm de sanear as finanテァas, tinha de contemplar uma renovaテァテ」o de frota, sistema e quadro operacional, em 1993, a Prefeitura de Sテ」o Paulo, na gestテ」o de Paulo Maluf, decide privatizar a Companhia Municipal de Transportes Coletivos.
Enxugar a mテ。quina pテコblica da CMTC e renovar sua frota e quadro de

A CMTC desde sua criaテァテ」o assumiu investimentos altos que trouxeram novidades aos transportes de Sテ」o Paulo. Tais investimentos, como trolebus, corredores e veテュculos de tecnologia limpa, nテ」o seriam feitos pelos empresテ。rios particulares. Alテゥm disso, com a municipalizaテァテ」o e em outros momentos anteriores, a CMTC assumiu partes deficitテ。rias do sistema. Aliados テ mテ。 administraテァテ」o e ao cabide de empregos, tais fatores fizeram com que a CMTC entrasse num profundo dテゥficit. Em 1993, o entテ」o prefeito Paulo Maluf decide privatizar o sistema operacional da companhia. A foto mostra protesto contra a privatizaテァテ」o.
funcionテ。rios, argumentou o prefeito na テゥpoca, exigiria alto investimento e nテ」o se tinha certeza que tal investimento traria reduテァテ」o de custos.
Acabava a CMTC como operadora dos transportes de Sテ」o Paulo.
Empresas particulares e consテウrcios comeテァavam a operar no lugar dos 2 700 テエnibus que a CMTC tinha em 1993. Muitos テエnibus eram da prテウpria CMTC e foram assumidos pelas empresas e outros eram novos, deixando parte da frota da CMTC em garagens e pテ。tios, alguns, inclusive, podem ser vistos ainda hoje apodrecendo, quando poderiam ser leiloados para empresテ。rios de outras cidades na テゥpoca enquanto ainda tinham condiテァテオes de prestar serviテァos.
Para se ter uma idテゥia do que foi tornada a mテ。quina pテコblica da CMTC, no tocante a cabide de empregos, quando a Companhia foi privatizada, ela tinha 27 mil funcionテ。rios. Com a entrada dos empresテ。rios, o sistema de gerenciamento caiu para mil e duzentos empregados.
Isso nテ」o significou, no entanto, que empresa pテコblica de transportes テゥ algo que nテ」o dテ。 certo. A Carris de Porto Alegre, empresa municipal mais antiga em operaテァテ」o desde o sテゥculo XIX, ainda presta serviテァos sem problemas. Se nテ」o fosse a CMTC, mesmo com os problemas ainda existentes no setor de transportes, a cidade estaria bem aquテゥm do atual patamar. Isso porque, como empresa pテコblica, a CMTC fez investimentos no sistema que as empresas particulares nテ」o queriam, nテ」o teriam condiテァテオes e nem teriam obrigaテァテ」o de fazer.
Estudiosos dos transportes pテコblicos em Sテ」o Paulo sテ」o unテ「nimes em dizer que, apesar de terem custado muito テ Companhia Municipal, nテ」o foram os investimentos e pioneirismos que sucatearam a CMTC, mas a forma pela qual ela foi administrada e abusada por diversas figuras pテコblicas ao longo de sua histテウria.
No ano de 1994, 47 empresas de テエnibus operavam na cidade de Sテ」o Paulo, apテウs a CMTC deixar de circular com os prテウprios テエnibus.
Em 8 de marテァo de 1995, a CMTC, jテ。 apenas gerenciadora テゥ transformada em Sテ」o Paulo Transportes, SPTrans, com novo enxugamento do quadro de pessoal.
Os anos 90, no entanto, nテ」o foram marcados apenas pela extinテァテ」o da CMTC, houve tambテゥm alguns avanテァos. Um dos exemplos foi em fevereiro de 1991, quando entrou em operaテァテ」o o Corredor Vila Nova Cachoeirinha, colocando em prテ。ticas estudos mais antigos da Secretaria dos Transportes e da CMTC, como a viabilizaテァテ」o de corredores em canteiros centrais e embarques e desembarques pelos dois lados do テエnibus, que passava a contar com portas na esquerda. Isso dava agilidade na entrada e saテュda do テエnibus e maior flexibilidade ao corredor, que ficava segregado do trテ。fego e poderia mudar de traテァado de acordo com a estrutura viテ。ria, sem a necessidade de grandes desapropriaテァテオes. Se o lado direito da via apresentasse dificuldades para a instalaテァテ」o do corredor, tudo bem, os テエnibus operaram com o lado esquerdo. Em junho de 1991, テゥ iniciada a operaテァテ」o com テエnibus a Gテ。s Natural e, no mesmo mテェs, para conter a evasテ」o de receitas, os embarques comeテァam a ser feitos pela porta dianteira do テエnibus e desembarque pela traseira. A primeira linha a contar com a novidade foi a 805 A 窶 Circular Avenidas. No dia 11 de setembro de 1991, テゥ inaugurada a primeira linha de micro-テエnibus de Sテ」o Paulo. O serviテァo era diferenciado, os passageiros nテ」o poderiam viajar em pテゥ, a tarifa era mais alta, 15 cruzeiros na テゥpoca, e os micros que faziam o itinerテ。rio circular, pela regiテ」o central de Sテ」o Paulo, eram movidos a テ。lcool.
Em 1998, dテ。-se o inテュcio a cobranテァa automテ。tica de tarifas, com validadores eletrテエnicos dentro dos テエnibus. No mesmo ano, tambテゥm テゥ iniciado o Projeto VLP – Veテュculos Leves Sobre Pneus , o Fura Fila, que se tornou promessa de campanha テゥ atテゥ hoje nテ」o teve todo seu traテァado concluテュdo.
A facilidade do pagamento de passagens e a necessidade de integraテァテ」o foram uma das tテエnicas dos anos 2000. Os estudos do Bilhete テ嗜ico, que permite atテゥ 4 viagens de テエnibus pelo preテァo de uma passagem num perテュodo de 3 horas, tendo integraテァテ」o com preテァo um pouco maior com outros modais como o Metrテエ e Trens da CPTM, comeテァaram em 2001, com os testes do Bilhete テ嗜ico do Idoso. A implementaテァテ」o do Bilhete テ嗜ico se deu em 2004.
A ampliaテァテ」o e construテァテ」o de novos corredores de テエnibus tambテゥm marcaram os anos 2000. Ainda em 2004, houve a construテァテ」o de quatro corredores de テエnibus com faixas exclusivas テ esquerda: Jardim テOgela – Guarapiranga – Santo Amaro; Capelinha – Ibirapuera – Santa Cruz; Parelheiros – Rio Bonito – Santo Amaro; e Campo Limpo – Rebouテァas – Centro e de cinco novos terminais (Grajaテコ, Guarapiranga, Jardim Britテ「nia, Parelheiros e Varginha.
AS TENDテ劾CIAS:

Tendテェncias. Apesar de os trens e metrテエ serem apontados como ideais para os transportes de massa, o テエnibus tem muito futuro, se seu sistema for racionalizado e modernizado. A construテァテ」o de corredores de テエnibus com pontos de ultrapassagem e acessibilidade テゥ tendテェncia no mundo. Assim como a integraテァテ」o de diversos meios de transporte. Na Franテァa, em Nantes, o sistema BusWay (foto) traz uma inovaテァテ」o: A integraテァテ」o テゥ feita com veテュculos de passeio. O
Se fossemos citar todos os fatos que marcaram a histテウria dos transportes coletivos na cidade de Sテ」o Paulo, uma sテゥrie de reportagens nテ」o seria suficiente. Alテゥm disso, muitos fatos importantes aconteceram e nテ」o foram registrados. E fatos importantes nテ」o sテ」o apenas os de grande magnitude, mas テs vezes pequenas alteraテァテオes de itinerテ。rios, uma postura educada e cordial de motoristas e cobradores, um cuidado especial em relaテァテ」o a limpeza dos veテュculos para que os passageiros se sintam num ambiente melhor. Coisas simples, mas que deixam menos pesada a rotina de quem utiliza os transportes na cidade de Sテ」o Paulo. Aliテ。s, por causa dos trajetos e trテ「nsito complicado, que deixa o テエnibus preso nos congestionamentos entre os carros particulares, muita gente passa o mesmo tempo dentro da conduテァテ」o que no trabalho.
Apesar de ter melhorado em vテ。rios aspectos, numa anテ。lise fria e imparcial, o sistema de transportes por テエnibus em Sテ」o Paulo ainda deixa muito a desejar.
De acordo com a mais recente pesquisa Origem e destino feita pelo Metrテエ de Sテ」o Paulo, os principais problemas apontados pelos passageiros de テエnibus sテ」o lotaテァテ」o, tempo das viagens, espera nos pontos, falta de mais pontos de integraテァテ」o e preテァo nas tarifas.
E um problema puxa o outro. Por isso, os problemas nテ」o sテ」o テコnicos e as soluテァテオes tambテゥm nテ」o sテ」o テコnicas. Um テエnibus preso num congestionamento demora para passar, mas gente se acumula nos pontos, a viagem テゥ mais lenta e quando o テエnibus vem lota rテ。pido. A sensaテァテ」o de a tarifa ser cara (e realmente テゥ elevada) aumenta pela deficiテェncia do serviテァo. Se o serviテァo fosse melhor, muitos passageiros pelo menos se conformariam com o valor das tarifas.
E o exemplo vem de outros paテュses, que investem na prioridade aos transportes pテコblicos e isso deve ser a tendテェncia que Sテ」o Paulo deve seguir se quiser que daqui a 20 ou 40 anos, sua histテウria do setor seja lembrada como evoluテァテ」o e nテ」o como um apanhado de problemas e retrocessos.
O Sistema BRT 窶 Bus Rapid Transit 窶 テゥ aplicado em diversos paテュses da Europa, Amテゥrica do Norte, テ《ia e Amテゥrica do Sul. A necessidade de se investir em verdadeiros corredores segregados de テエnibus, no Brasil temos o exemplo de Curitiba e do ABC Paulista pela Metra e EMTU, jテ。 foi vista hテ。 muito tempo por outros paテュses, como a Colテエmbia, que em Bogotテ。, melhorou sensivelmente a qualidade de vida dos cidadテ」os com o Transmilテェnio, inspirado no modelo de Curitiba.
Um BRT de verdade nテ」o テゥ um simples canteiro por onde passam テエnibus ou um uma faixa pintada na rua, que perto dos pontos, nos horテ。rios de pico, cria congestionamentos de テエnibus. Ele possui uma diferenciaテァテ」o fテュsica na via, estaテァテオes de embarque, preferencialmente na altura do piso dos テエnibus, pagamento anterior テ entrada no veテュculo e pontos de ultrapassagens para evitar filas imensas de テエnibus, como ocorre, por exemplo na Avenida Rebouテァas e Rua da Consolaテァテ」o.
A criaテァテ」o de um BRT, de um corredor segregado de テエnibus, chega a ser 10 vezes mais barata que a construテァテ」o de uma linha de Metrテエ, alテゥm de a implementaテァテ」o ser mais rテ。pida e alterar menos o cenテ。rio urbano. Necessita de menos desapropriaテァテオes e as obras sテ」o mais simples.
Outra tendテェncia que se aplica no mundo テゥ a integraテァテ」o de modais, existente em Sテ」o Paulo, mas ainda muito tテュmida.
テ馬ibus deve complementar trem e metrテエ e vice e versa. Alguns paテュses vテ」o muito mais alテゥm.
Como テゥ o caso do BusWay, na Franテァa. Lテ。, o corredor, com テエnibus extremamente modernos, liga a regiテ」o central de Nantes テ zona Sul da テ。rea metropolitana, na localidade de Verton. O corredor consegue integrar テエnibus e carro. Os passageiros vテ」o com seus carros fora da tumultuada regiテ」o central, deixam em estacionamentos prテウprios para os usuテ。rios e na regiテ」o central, onde hテ。 trテ「nsito, eles pegam o BusWay e continuam a viagem de テエnibus. Quatro estaテァテオes do sistema possuem o esquema “Park-and-ride”, onde o usuテ。rio pode deixar o seu automテウvel e seguir a sua viagem de テエnibus.
Isso poderia ser uma opテァテ」o para Sテ」o Paulo, se houvesse um sistema de テエnibus que atraテュsse テ classe mテゥdia. O usuテ。rio poderia sair de um determinado bairro mais distante de carro, deixテ。-lo em local seguro com preテァo acessテュvel e seguir o trajeto de maneira mais rテ。pida para テ。rea central ou bairros de negテウcios. Em Nantes, o Park and ride auxiliou bastante na diminuiテァテ」o dos congestionamentos principalmente em horテ。rios de pico.
As prefeituras que investiram no BRT priorizaram os recursos para os transportes pテコblicos atraテュrem テs diversas camadas sociais da populaテァテ」o. O Transmilテェnio da Colテエmbia, por exemplo, テゥ usado tanto pelo executivo da empresa, como pelo operテ。rio.
Facilidades de pagamento de passagens, eliminado o dinheiro no uso dentro dos テエnibus tambテゥm sテ」o tendテェncias. Em Sテ」o Paulo, hテ。 o Bilhete テ嗜ico, um grande avanテァo. Mas ainda o passageiro tem de enfrentar filas nos postos de recarga ou em estabelecimentos comerciais. Em vテ。rios paテュses, por exemplo, os cartテオes sテ」o recarregados pela Internet, por dテゥbito bancテ。rio e atテゥ mesmo com o uso do celular.
O uso de veテュculos com tecnologia limpa tambテゥm テゥ outra tendテェncia para tornar as cidades mais agradテ。veis de se viver, com ar menos poluテュdo e テエnibus que emitam menos barulho. Na Europa o uso do Diesel limpo, o Biodiesel, jテ。 estテ。 numa fase bem mais avanテァada, do etanol, com os テエnibus movidos a テ。lcool produzido no Brasil, coletivos com cテゥlulas de hidrogテェnio e, claro os velhos trolebus, de rede aテゥrea, que Sテ」o Paulo comeテァou a operar em 1949, sテ」o realidades vistas facilmente nas ruas. Sテウ que estes trolebus sテ」o mais modernos e rodam em vias segregadas.
Enfim, o テエnibus pode ser alvo de crテュticas por muitos especialistas. O Metrテエ e o Trem podem se apresentar como melhor forma de transportes de massa, mas a verdade テゥ que Sテ」o Paulo vai de テエnibus. E foi este tipo de transporte o テコnico capaz de acompanhar o rテ。pido desenvolvimento de Sテ」o Paulo e contribuir para ele. Sendo assim, Sテ」o Paulo deve muito aos テエnibus e os テエnibus a Sテ」o Paulo. E a cidade merece o melhor em relaテァテ」o aos transportes. E exemplos que mostram que o テエnibus tem futuro, mas numa concepテァテ」o moderna, que prioriza o coletivo, nテ」o faltam pelo mundo. Parabテゥns, Sテ」o Paulo.
Adamo Bazani, busテウlogo, repテウrter da CBN, natural de Santo Andrテゥ, mas que tem Sテ」o Paulo no coraテァテ」o, assim como todo o brasileiro deveria ter.
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