Saindo do Atraso: Santo André apresenta ônibus adaptados para portadores de necessidades especiais
Por Adamo Bazani
Cidade de 456 anos apresenta agora frota de ônibus municipais adaptados para portadores de necessidades especiais e obesos
Parece incrível. Uma cidade do porte de Santo André, no ABC Paulista, com mais de 600 mil habitantes só agora apresentou a população ônibus adaptados para portadores de necessidades especiais, com elevador, e com banco para obesos.
Antes tarde do que nunca, como diria o velho jargão.
Nesta quarta-feira, com exclusividade, o site presenciou a entrega dos veículos. São os primeiros do Consórcio União Santo André. Na cidade, só havia 2 ônibus, da Expresso Guarará, Caio Millenium II, com a adaptação, mas a empresa não participa do Consórcio.
São 11 ônibus encarroçados pela Comil, modelo Svelto, Chassi Mercedes Benz, OF 1418.
Eles vão operar linhas da de apenas uma empresa do consórcio formado por seis viações: a Viação Vaz.
“A empresa investiu cerca de 3 milhões de reais na compra dos veículos. Além de preparar os motoristas para operar os elevadores e os componentes, preparamos também para o convício e atendimento aos portadores de deficiência, que na prática, são cidadãos comuns como todos” – disse Gustavo Augusto de Souza Vaz, diretor da Viação Vaz, que opera 5 linhas na cidade.
Além de apresentar os novos ônibus, a empresa contratou sua primeira mulher motorista: Renata Nogueira, de 37 anos.

Renata Nogueira, a primeira motorista mulher da empresa: especialização para lidar com portadores de deficiência física
“Trabalho há cinco anos dirigindo ônibus, nas Viações Imigrantes, Julio Simões, Veneza e Auto Viação ABC, mas para mim é um orgulho trabalhar com o deficiente, e ser a primeira mulher motorista de uma empresa” – conta Renata. A Viação Vaz vem da Viação Padroeira do Brasil, empresa que operava em Santo André desde os anos 40 e tinha apenas motoristas homens. A empresa Vaz assumiu a Viação Padroeira, trocando de nome, em 2002.
EMPRESAS DEVEM DAR MAIS ATENÇÃO AO PORTADOR DE
NECESSIDADE ESPECIAL
O gerente comercial da Comil, Fabrício Tascine, afirma que a estratégia da empresa é retomar mercado em São Paulo. Para isso, anunciou um Comil modelo Svelto Midi, um micrão com proporções menores que os apresentados em Santo André, no dia Primeiro de Julho.
“Nossa empresa conta com colaboradores especializados em adpatar os veículos. Já era mais que hora de isso acontecer. Desde o menor ônibus ao maior, hoje podemos oferecê-los com acesso a quem tem mobilidade reduzida. Afinal, o portador de deficiência não precisa do transporte só para ir ao hospital. Ele tem o direito de trabalhar, passear e estudar, usando o transporte público”
Já o representante de revenda da Mercedes Benz do Brasil, em São Paulo, Paulo Mendonça, afirmou que a marca vai se dedicar ao aprimoramento de chassis que atendam o portador de necessidade especial. “Independentemente do tamanho dos ônibus, grande, convencionais, midis ou micros, a idéia é priorizar o portador de deficiência. Eu trabalho há mais de 30 anos no ramo e a mentalidade do empresário e do poder público em relação a isso mudou muito, e pra melhor. Seja carro com piso rebaixado ou com elevador, a demanda para tornar o deficiente mais incluso nas cidades é felizmente cada vez maior”
MUDANÇAS DE TRANSPORTES PARA SANTO ANDRÉ E PROMESSA DE MAIS ACESSO
Em entrevista ao site, o prefeito de Santo André, Aidan Ravin, do PTB, afirmou que a malha dos transportes da cidade ainda apresenta várias falhas e “buracos”
“É mais que necessária uma readequação do sistema na cidade de Santo André, que se desenvolveu em alguns pontos e está atrasado em outros. A criação de novas linhas é fundamental. Há novos hospitais, novos bairros e regiões que cresceram e o transporte não acompanhou”
Para isso, o Secretário de Obras e Serviços Públicos, Alberto Casalinho, explicou que a Prefeitura vai realizar uma série de estudos e pesquisas diretas com os usuários nos Terminais e Pontos.
“Vamos ouvir de perto a população. E as sugestões já estão chegando. Uma delas que vamos estudar, é a ligação entre o Terminal de ônibus Vila Luzita (periferia da cidade) com o Hospital Estadual Mário Covas, no bairro Paraíso”
O estudo é uma resposta a pedidos de usuários da região do Hospital, que também possui outros estabelecimentos de saúde, que reclamam da necessidade de fazer várias transferências,o que é agravado em caso de pessoas portadoras de necessidades especiais ou que estão com problemas de saúde. Além disso, muitas destas transferências, principalmente das linhas da Vila Luzita para as linhas que passam no centro de Santo André, não são gratuitas. Como a passagem é de R$ 2,50 em Santo André, em 4 viagens ida e volta, o usuário gasta 10 reais para ir desta região da cidade ao Hospital.
O prefeito Aindan voltou a negar que a troca da cor dos ônibus, de faixas vermelhas para azuis, tenha conotação política. “Não queremos apagar marcas anteriores de patido nenhum, queremos a cidade com a identidade das cores de sua bandeira”
Analistas polítcos da região afirmam que a intenção seria apagar as lembranças do PT, tradicional oponente na região do partido do prefeito, PTB.
Sobre a padronização não só da pintura, mas do nome das empresas, o secretário Alberto Casalinho, afirmou que a população quer transporte de qualidade, independentemente do nome da empresa.
Versão que é contestada por alguns especialistas.
Atualmente, em Santo André, a população não sabe ao certo as empresas que servem as linhas. Em todos está escrito UNIÃO SANTO ANDRÉ, e a empresa é diferenciada apenas por um número antes do prefixo do ônibus. Mas nem todo mundo qual empresa é representadas pelo prefixo.
“O usuário quer saber de uma boa genernciadora, no caso a SATrans – Santo André Transportes”. Por 12 anos, a gerenciadora, se chamava EPT – Empresa Pública de Transportes – nas gestões do PT – Partido dos Trabalhadores.
Para quem quiser acompanhar as empresas que prestam serviços em Santo André, que são só identificadas pelo prefixo, o site mostra a tabela abaixo
| 01 | Viação Guainazes / Viação Curuçá |
| 02 | Viação Vaz (ex Padroeira do Brasil) |
| 03 | TCPN – Transportes Coletivos Parque das Nações |
| 04 | ETURSA (ex Nova Santo André) – Empresa de Transportes Urbanos Rodoviários de Santo André |
| 05 | EUSA (antiga Viação São Camilo) – Empresa Urbana de Santo André |
| 08 | Expresso Guarará, que administra o Terminal Vila Luzita e o Corredor Mário Toledo Camargo, ex Viação São José; Não pertence ao consórcio União Santo André |
Adamo Bazani, repórter da CBN e busólogo








É uma satisfação imensa saber que os Portadores de Necessidades Especiais, estão cada vez mais sendo inclusos na sociedade, garantindo seu direito de ir e vir com mais conforto e qualidade.
Concordo com as autoridades de que o interesse maior da população é ser transportada com enficiência, porém julgo necessário sim, que se coloque o nome da empresa que está operando a linha, o que facilitará a comunicação com a mesma, em caso de sugestões, elogios ou críticas. Esta posição do Consórcio União Santo André de não identificar os ônibus, nos dá a entender que as solicitações dos clientes serão ocultadas.
Parabéns Adamo, pela reportagem!
Tenham todos um ótimo final de semana!
@GERSON CARVALHO
Prezado Gerson.
O maior problema que enfrentamos hoje é a falta de informação, o nome da empresa não pode ir nos ônibus por uma determinação do poder público que também determina que as empresas não podem receber as reclamações ou sugestões diretamente, tudo deve ser feito pelo serviço 0800 deles.
A posição do Consórcio é de transparência e de forma alguma queremos ocultar informações de nossos usuários, então sugiro que passe a sua opinião para a secretaria de obras e serviços públicos.