Por ADAMO BAZANI
Feira e Ciclo de Palestras em Sテ」o Paulo discute transportes em toda Amテゥrica Latina. Necessidade de investimentos em soluテァテオes rテ。pidas para preparar o Brasil para a Copa do Mundo e a diversidade de carテェncias do Paテュs foram a tテエnica principal da Transpテコblico
A FIFA jテ。 fez o alerta: os investimentos no setor de transportes no Brasil, principalmente nas 12 cidades-sede da Copa do Mundo de 2014 estテ」o a passos muito lentos.
Em contra-partida, o Ministro das Cidades, Mテ。rcio Fortes, salientou que jテ。 estテ」o previstos recursos de aproximadamente 4 bilhテオes de reais para o setor de transporte pテコblico nas cidades que receberテ」o as delegaテァテオes mundiais, dentro do chamado PAC - Programa de Aceleraテァテ」o do Crescimento 窶 da Copa do Mundo.
Apesar de a cifra parecer ser alta e 2014 parecer distante, a verdade テゥ que esses recursos e prazo sテ」o apertadテュssimos quando se trata em investimentos em transporte.
Algumas cidades jテ。 nテ」o dテ」o conta de maneira digna nem de seus passageiros habituais, quanto mais de turistas, que aumentarテ」o a demanda por transportes pテコblicos e obviamente vテ」o exigir um serviテァo de qualidade.
A imagem do Brasil no Mundo, que serテ。 projetada pelo Mundial, depende para uma boa fama de soluテァテオes nas テ。reas de seguranテァa pテコblica e transporte.
Essa foi a tテエnica principal dos debates da Terceira Ediテァテ」o da Transpテコblico e do 22ツコ Seminテ。rio da NTU (Associaテァテ」o Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), entre os dias 14 e 16 de julho, no Transamテゥrica Expo, zona Sul da Capital Paulista.
O blog esteve lテ。 e acompanhou propostas e debates nテ」o sテウ de empresテ。rios de テエnibus e fabricantes, mas de especialistas no setor.

テ年IBUS URBANO DE 15 METROS, INDICADO PARA CORREDORES SEGREGADOS, APONTADOS COMO SOLUテテグ Rテ ̄IDA PARA ATENDER A DEMANDA NA COPA DO MUNDO
BRT 窶 Soluテァテ」o Rテ。pida e Menos Cara: Entre especialistas, empresテ。rios e administradores pテコblicos, o consenso foi de que o transporte ferroviテ。rio, com malha maior de Metrテエ de 窶彭ignificaテァテ」o窶 da malha de trens jテ。 existente, seria a soluテァテ」o mais prテウxima do ideal, porテゥm, a mais cara e difテュcil de ser aplicada, principalmente em pouco menos de 5 anos.
Com base nos investimentos que foram realizados na Copa do Mundo da Alemanha, realizada em 2006, e em outras cidades que nテ」o abrigaram Mundiais ou jogos esportivos, mas que precisaram de soluテァテオes rテ。pidas, o exemplo vem do BRT (Bus Rapid Transit), o テエnibus de trテ「nsito rテ。pido, que consiste em oferecer em corredores segregados das outras vias de rolamento, um sistema de テエnibus de mテゥdia e alta capacidades, com rapidez e conforto.
De acordo com Marcos Bicalho, em palestra, diretor-superintendente da NTU, cada quilテエmetro de um BRT, um corredor exclusivo, custa aproximadamente US$ 10 milhテオes de contra US$ 50 bilhテオes de um sistema VLT (Veテュculo Leve Sobre Trilhos) e contra US$ 90 milhテオes de metrテエ.
E Bicalho garante que se as linhas forem bem projetadas e os テエnibus usados nestes corredores forem do modelo ideal, os benefテュcios serテ」o os mesmos que os oferecidos pelo sistema de trilhos, com a vantagem de o custo de operaテァテ」o e instalaテァテ」o ser menor, alテゥm de necessitar mexer menos com a paisagem urbana, havendo menos escavaテァテオes, obras de risco e desapropriaテァテオes.

テ年IBUS COM PISO BAIXO TOTAL, SEM DEGRAUS NO MEIO DO CORREDOR. INDICADO PARA PISTAS SEGREGADAS E COM Fテ,IL ACESSO PARA PASSAGEIRO
DEMOS O EXEMPLO QUE Nテグ SEGUIMOS: E por incrテュvel que possa parecer, um dos paテュses que apresentou o BRT nos padrテオes modernos para todo o mundo foi o Brasil. 窶廸o entanto, elaboramos a liテァテ」o de casa, mas nテ」o fizemos completamente.窶 A opiniテ」o テゥ do ex governador do Paranテ。, Jaime Lener, que esteve no ciclo de palestras e na feira.
Nos anos 70, chamado de audacioso por deixar a opテァテ」o de Metrテエ de lado, Lerner implantou em Curitiba um dos primeiros sistemas BRT da Amテゥrica Latina, com os テエnibus em vias segregadas e estaテァテオes tudo.
A idテゥia foi de criar linhas que ligassem os extremos da cidade em corredores, dando prioridade ao transporte pテコblico. Estas linhas contam com veテュculos de mテゥdia e grande capacidade, como テエnibus alongados, articulados ou bi-articulados.
O sistema foi considerado um sucesso. Foi seguido pela Colテエmbia, Chile, Mテゥxico, China, Reino Unido e Estados Unidos. Engenheiros pテコblicos e de empresas visitavam Curitiba para estudar a tecnologia desenvolvida no Brasil. Mas o Brasil mesmo pouco a seguiu.

テ年IBUS PARA SISTEMA DE TRテNSITO Rテ ̄IDO EM CORREDOR. TECNOLOGIA BRASILEIRA RODANDO NO CHILE. 窶廚riamos o exemplo mas nテ」o seguimos窶
Hテ。 alguns trechos na Capital Paulista, poucos com a concepテァテ」o de via segregada e pontos de ultrapassagem, no Corredor ABD (Sテ」o Mateus 窶 Sテ」o Paulo a Jabaquara 窶 Sテ」o Paulo, servindo as cidades de Diadema, Mauテ。, Sテ」o Bernardo do Campo e Santo Andrテゥ), e outros projetos em alguns municテュpios brasileiros.
Aliテ。s, a base do Corredor ABD foi apontada no evento como uma das alternativas diretas para a Copa. O serviテァo jテ。 vai atテゥ a regiテ」o da Berrini, na zona Sul de Sテ」o Paulo. O prolongamento do serviテァo segregado atテゥ a regiテ」o do Estテ。dio do Morumbi, que deve abrigar os principais jogos da Copa, seria um reforテァo interessante para o sistema ferroviテ。rio da regiテ」o.
Lerner, no entanto, lembrou que mesmo o BRT sendo uma iniciativa mais rテ。pida, a hora para implementテ。-lo em alguns casos e expandi-lo, テゥ agora.
No evento foi discutido tambテゥm o fato de muitos estテ。dios nテ」o terem estacionamentos suficientes para a demanda de quem utilizarテ。 o automテウvel.
E mais uma vez, atテゥ para quem usa o carro, os transportes coletivos podem ser a soluテァテ」o. Isso porque, a exemplo do que aconteceu na Alemanha na Copa e na China, nos テコltimos jogos olテュmpicos em 2008, as administraテァテオes pテコblicas, em parceria com a iniciativa privada, criaram bolsテオes de estacionamento a alguns quilテエmetros dos centros esportivos. De lテ。, os motoristas eram levados de テエnibus de mテゥdia e alta capacidade para os estテ。dios. A medida テゥ para evitar aglomeraテァテオes e vias sem a possibilidade de circulaテァテ」o devido aos congestionamentos nas imediaテァテオes dos estテ。dios.
BRASIL: UM PAテ拘 CONTINENTAL, DE DIVERSIDADES, QUE EXIGE UM TRANSPORTE QUE ATENDA ESTAS DIVERSIDADES
A Copa do Mundo nテ」o foi o テコnico assunto discutido na Transpテコblico, evento promovido pela NTU, Abrati (Associaテァテオes que representam empresas de テエnibus) e Fabus (que reテコne as encarroテァadoras).
Com a participaテァテ」o de mais de 70 empresas, entre montadoras, encarroテァadoras, empresas de auto-peテァas e acessテウrios, montadoras, revendedoras e viaテァテオes, foi demonstrada uma visテ」o que jテ。 vinha nascendo aos poucos nos operadores e administradores de transportes: apesar de ser necessテ。rio uma polテュtica nacional para o setor, o Brasil テゥ um paテュs de grande diversidade econテエmica, cultural e territorial, e os transportes tambテゥm devem ser pensados localmente, para atender a cada demanda.
Se, antigamente, um modelo de テエnibus tinha de servir para o Paテュs todo, hoje os fabricantes sテ」o unテ「nimes de que deve haver um atendimento especテュfico para cada regiテ」o e passageiro.
E a gama de modelos apresentados na feira mostrou isso.
Para cidades que necessitem de corredores exclusivos e possuem grande nテコmero de passageiros, foram apresentados veテュculos e chassis articulados, bi-articulados e trucados (trテェs eixos) urbanos.
E cada cidade tem uma legislaテァテ」o e uma necessidade diferente, principalmente para portadores de deficiテェncia fテュsica. Por isso, alテゥm do tamanho destes chassis, as formas de apresentaテァテ」o sテ」o agora mais variadas (piso baixo para os corredores), elevadores para pisos que nテ」o permitem テエnibus com assoalhos prテウximos ao solo e o sistema Low Entry, intermediテ。rio para os dois casos, no qual, ao parar no ponto, por sistema pneumテ。tico, o テエnibus 窶徭e abaixa窶 para o embarque do passageiro.
Uma opテァテ」o interessante para テエnibus com acessibilidade para portadores de deficiテェncia ou locomoテァテ」o limita, apresentada este ano pela Volvo テゥ o chassi B9 SALF. Com carroceria Caio Mondego LA, o テエnibus inteiro テゥ de piso baixo, evitando os degraus internos, em carrocerias cuja frente e meio tテェm piso baixo, mas da metade para trテ。s, o piso テゥ convencional, havendo a necessidade de degraus no meio do corredor do テエnibus.

テ年IBUS MIDIS, OS MICRテ髭S: CUSTO MENOR, DISPENSA DO SALテヽIO DO COBRADOR E VERSATILIDADE ATRAEM EMPRESテヽIOS
PREFERテ劾CIA DO EMPRESARIADO: Apesar de os テエnibus de mテゥdia e alta capacidade serem apontados como soluテァテオes para as grandes cidades, o evento foi nacional e contemplou empresas de vテ。rias regiテオes do Brasil, que possuem condiテァテオes de asfalto precテ。rias, ruas e avenidas estreitas e linhas em bairros com muitos desnテュveis curvas. Por isso, os chassis e carrocerias midi, os chamados micrテオes, intermediテ。rios entre micro-テエnibus e テエnibus convencionais eram os mais procurados quando os representantes dos fabricantes perguntavam aos empresテ。rios: 窶弉ual seu modelo de interesse?窶
Alテゥm das razテオes acima, os custos de manutenテァテ」o destes veテュculos sテ」o menores e, uma triste realidade social, dispensam cobradores, mテ」o de obra a menos para pagar salテ。rio.
Alguns micrテオes, como Sテェnior Midi, Spectrum, Foz Super, oferecem capacidade de passageiro igual a alguns テエnibus antigos, como Vitテウria, Amテゥlia e Gabriela, mas sem o cobrador e com consumo e manutenテァテ」o menores.
Em algumas cidades, empresas inteiras jテ。 operam com micrテオes. Soluテァテ」o que ainda テゥ alvo de contestaテァテオes, jテ。 que o motorista tem de dirigir e cobrar ao mesmo tempo, num veテュculo cujas dimensテオes sテ」o um pouco inferiores aos convencionais. Mas o mercado de chassi e carrocerias nテ」o perdeu tempo e a gama destes veテュculos テゥ bastante grande.
TRANSPORTE ESCOLAR: Outro grande desafio para o setor de transportes no Paテュs テゥ a locomoテァテ」o de estudantes, principalmente em テ。reas rurais ou com pavimento precテ。rio.
Enquanto escolas particulares nos grandes centros urbanos jテ。 oferecem veテュculos com todas as condiテァテオes de seguranテァa, em algumas cidades do interior do Brasil, a vida de estudantes テゥ colocada em risco.
Quando hテ。 テエnibus, a maioria テゥ sem nenhuma adaptaテァテ」o para transporte de crianテァas do primeiro grau, os veテュculos sテ」o velhos, com idade entre 20 e 30 anos, que um dia jテ。 foram operados em cidades grandes. Os veテュculos nテ」o possuem manutenテァテ」o e nem preparo para enfrentar lama e barro. O estudante tambテゥm テゥ obrigado a dividir espaテァo com trabalhadores rurais e pessoas que precisam ir ao mテゥdico e nテ」o contam com transporte especテュfico.
Onde hテ。 incentivo pテコblico, no entanto, a situaテァテ」o comeテァa a mudar. E a indテコstria oferece opテァテオes.

テ年IBUS 窶廡ORA DE ESTRADA窶 PREPARADO PARA TRANSPORTE DE ESTUDANTES EM LOCAIS DE DIFテ垢IL ACESSO

Chamaram a atenテァテ」o na Transpテコblico dois modelos de テエnibus 窶徙ff road窶, para fora de estrada. O micro Mascarello Gran Mini e o midi Caio Foz Super. Eles possuem visual de fora de estrada, quebra mato e o principal, a suspensテ」o テゥ bem elevada, deixando o piso a uma distテ「ncia do solo, suficiente para o veテュculo enfrentar lama, buraco e desnテュvel, levando estudante e funcionテ。rio de escola com seguranテァa. Para as crianテァas menores o Foz Super oferece banco cm capacidade para trテェs crianテァas cada.com cinto de seguranテァa. O espaテァo para cadeira de rodas.
A REAテテグ DO TRANSPORTE TERRESTRE DE PASSAGEIROS:

VEテ垢ULOS QUE Sテグ VERDADEIROS AVIテ髭S TEREESTRES. RESPOSTA DOS FABRICANTES E DAS EMPRESAS AO CRESCIMENTO DO Nテ哺ERO DE PASSAGEIROS DE AVIテ髭S
Outro ponto que ficou evidente na exposiテァテ」o e que demonstra uma preocupaテァテ」o dos empresテ。rios do setor de transporte terrestre de passageiros テゥ a reaテァテ」o ao crescimento do mercado aテゥreo barato.
A passagem do aviテ」o para alguns lugares quase テゥ do mesmo valor da passagem de テエnibus, o que faz o usuテ。rio optar pela forma mais barata de viagem.
Alテゥm de oferecer preテァos competitivos, a opテァテ」o para o empresテ。rio do setor terrestre テゥ oferecer qualidade no serviテァo.
A indテコstria de テエnibus percebeu isso e viu que as soluテァテオes estテ」o em pequenos detalhes.
Assim, na feira, foi possテュvel encontrar verdadeiros 窶彗viテオes terrestres窶.
テ馬ibus de luxo que oferecem mimos para o passageiro e atテゥ um conforto bem maior que um aviテ」o de classe econテエmica. Veテュculos com bancos que viram cama, com climatizadores de ar, equipamentos de som e imagem de テコltima geraテァテ」o, na era do LCD e Full HD, entre outros 窶徑uxos窶 que hテ。 20 anos eram impensテ。veis nos テエnibus.
テ年IBUS, BOM GOSTO E ESTテ欝ICA:

PASSAGEIRO REPARA SIM NO DESIGN DO テ年IBUS. A INDテ售TRIA DO SETOR NA テ哭TIMA Dテ韻ADA TEM DADO ATENテテグ ESPECIAL テS LINHAS DO VEテ垢ULO E テ PINTURAS QUE MOSTRAM SEGURANテA E BELEZA, COMO AS PINTURAS QUE REFLETEM A LUZ A NOITE
Alテゥm dos equipamentos de luxo, de acordo com os palestrantes, uma arma para o setor de transportes テゥ a estテゥtica.
A indテコstria pensava menos nisso hテ。 uma dテゥcada, mas o passageiro se importa sim com テエnibus bonitos.
Veテュculos de linhas modernas e pinturas que reluzem atテゥ a noite foram o grande atrativo do pテコblico. Destaque para os modelos Irizar PB, da Geraテァテ」o Sete da Marcopolo e do Panorテ「mico DD da Busscar.
A feira mostrou que o pテコblico em geral se interessa por transporte, mesmo que inconscientemente e que o setor agora comeテァa a entrar nos trilhos (apesar de ser テエnibus), e a pensar que o Paテュs tem uma necessidade geral, mas demandas especテュficas e localizadas e que o passageiro, ou mesmo o motorista do carro ao lado, tem senso estテゥtico e que o テエnibus devem em suas linhas oferecer conforto, o que テゥ mais que obrigaテァテ」o, mas tambテゥm harmonia e beleza. Afinal, o テエnibus faz parte da paisagem das cidades e estradas.
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